OPINANDO EM TÓPICOS

0
15

Só uma às claras!

Ponta Delgada, com certeza, enquanto as demais cidades regionais estiveram às escuras, isto televisamente falando, já que não as vimos na “nossa” RTP-A.

E vimos, e bem, a multidão que acorreu às Portas do Mar e arredores para admirar o fogo de artifício na passagem do velho para o novo ano.

Mas vimos ainda o edil Presidente, efusivo a apregoar loas à sua urbe, repetindo coisas ditas nos “Prós e Contras” que da capital de Portugal em má hora vieram aos Açores.

Deixou-nos mesmo a ideia de querer fazer de Ponta Delgada a Funchal açórica.

Que queiram guindá-la aos píncaros da Lua, tudo bem, nanja, porém, com prejuízos das outras, particularmente das ex-capitais de distrito que fazem parte também da divisão tripolar autonómica: Representante da República, Assembleia Regional, e Governo Regional.

É certo de que tanto Angra do Heroísmo e Horta voltaram a não oferecer tal espetáculo luminoso, quiçá por falta de patacas, já que todas vão para as lojas dos chineses a crescerem como cogumelos.

Mas terão havido, como é tradicional, festas em sociedades e hotéis, com brindes e espumante, também durante o bater das doze badaladas nos relógios da torre na Horta e da Sé em Angra, e em outras cidades e vilas, e que gente como nós, vivendo longe, gostaria de recordar tempos passados.

E como já estamos em Janeiro, “exigimos” democraticamente que a passagem para 2016 seja bem às claras, de Santa Maria ao Corvo…

 

Se…?

Era título de opinião afirmativa a pergunta formulada em coluna que ainda mantinha em Março de 1973, no ido Correio da Horta..

A dita, em apreço, referia-se a justa homenagem que deveria ser prestada ao apreciado pintor belga Fernand Bouton que, com sua distinta esposa, se radicou na Horta, apresentando seus belos trabalhos, mormente no “Amor da Pátria” que sempre abria (e abre) suas portas para tais manifestações.

Um ilustre casal que depressa conquistou a simpatia dos faialenses que muito sentiram a morte do pintor, enamorado pelas belezas naturais dos Açores, particularmente do Faial.

Recorde-se que tanto em Angra do Heroísmo como em Ponta Delgada foram realizadas exposições em homenagem póstuma a Fernand Bouton.

Duas finalidades destas linhas: dar a conhecer aos mais jovens patrícios, o atrás referido, e lembrar a quem de direito, o provérbio: “tarde é o que nunca chega”, mas se já chegou melhor; aliás cavacos de ofício por ausência não escolhida mas de opção consciente.

 

Está tudo em aberto…

…como dizem no futebol, ouvimos ao professor Marcelo Rebelo de Sousa, referindo-se, no seu conhecido comentário televisivo, à presente situação do ex-primeiro Ministro José Sócrates, tido como dos piores políticos de 2014.

Quando da revolução de Abril o futebol andou nas bocas dos esquerdistas como ódio do povo, em companhia com o fado e Fátima (os 3’f s ) e ainda era ignorado pelos intelectuais lusos, porém, está agora em alta.

Não há mesmo Doutor ou Engenheiro e sobretudo comentador que não recorra ao mundo do pontapé na bola para qualquer exemplo a confirmar sua opinião.

Aliás, o caso, conquanto, desta feita, tivéssemos dificuldade em descortinar qualquer semelhança.

Talvez por ligada à reacção do treinador ao saber o nome do árbitro para o jogo, ou ao equívoco do juiz por suposta falta defensiva na grande área.

Mas, Professor dixit…

 

O fidalgo BURRICO da Graciosa

Em vésperas da 2ª. Guerra Mundial participei em inesquecível excursão de “Estudantes em Férias” à Graciosa, na chalupa “Helena”.

E uma vez em Santa Cruz, cumpri, com os amigos Manuel Dutra e Ruben Silveira,(na foto) velha tradição local, cavalgando no popular Burrico pelo centro da também graciosa Vila.

Se bem que na altura ele era ainda um simples plebeu, dando até azo a inofensivo gracejo: fábrica em que se mete palha por um lado e pelo outro sai castanhas.

Foi na verdade uma semana para não esquecer, já por a Ilha Branca estar nas afamadas festas do Senhor Santo Cristo, já pelas manifestações desportivas e recreativas proporcionadas, bem patentes na opinião de venerando ancião: esta gente do Faial é muito divertida; oxalá que volte para o ano.

Mas 75 anos passaram, e hoje são os graciosenses quem dá cartas em tudo quanto seja diversão, não esperando até pelo carnaval.

Voltando ao BURRICO, aliás motivo primeiro destas linhas, não sabemos o que acontecerá uma vez reconhecida sua ilustre linhagem.

É que, como o ponei terceirense, irá ser também fidalgo, se já não o é.

Todavia continua a servir diariamente os graciosenses no transporte diário de pequenas cargas, qual moço de recados…

(O autor não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico)