RTP/RDP Açores – Delegação da Horta – que futuro

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O Diário Insular de 7 de janeiro dava conta que a “Câmara de Angra fartou-se dos sucessivos incumprimentos por parte da RTP, SA (Lisboa) e diz que já não cede as instalações que tinha disponibilizado em São Carlos (escola desocupada) para alojar a delegação da Terceira…”

Pois por aqui a inércia impera, com uma subserviência sem paralelo dos responsáveis pela delegação da Horta, aos responsáveis da RTP nos Açores, diria mesmo obediência cega, onde a todo o custo e com a conivência faialense se impõe um centralismo nunca visto na história da autonomia açoriana, onde a produção por aqui é praticamente inexistente, ao contrário de outras alturas, bem mais ricas, com ideias e respeitando-se a independência editorial. 

Ao longo dos anos sempre nos queixámos da discriminação relativamente à cobertura  de eventos, ao tempo em que era tudo dado pela RTP às reportagens produzidas nas restantes oito ilhas e ao ego micaelense. Mas a situação atual tem vindo a ultrapassar todos os limites. 

No programa Teledesporto, da RTP Açores, do passado dia 5 de janeiro, fizeram-se os destaques dos melhores eventos de 2014, com referência de pódio para o SATA Rally, o Red Bull Cliff Diving, o Surf com direito a pompa e imagens. Com direito a uma pequenissima referência no final da reportagem, as Regatas Internacionais e sem referência ao Azores Trail Run e tantas outras provas de elevadíssima relevância desportivas, realizadas um pouco por todas as ilhas. Lamentável!

Na lógica micaelense e do jornalista que fez a peça referida, a menção dos eventos faz-se pelo seu grau de importância, tendo supostamente sido definidos dois critérios para se fazerem os destaques, o primeiro o local de realização das provas (São Miguel) e o apoio de milhões do Governo Regional. 

Naturamente que as Regatas Internacionais são na Horta, por agora e com apoios ridiculos, bem discriminatórios, pois a RTP não olhou para os retornos (por aqui também existem estudos de universidades francesas que indicam que são de milhões), para o investimento financeiro e humano, para o grau de exigências de cada prova e até para o seu mediatismo, talvez aqui se perceba como o tal centralismo transforma a fantasia em realidade. 

É este desrespeito para com a nossa autonomia e pela tripolaridade, consagrada no nosso estatuto político administrativo, que conferia a cada delegação da RTP nos Açores uma autonomia saudável, com uma administração geograficamente bem definida, trazendo benefícios evidentes para desenvolvimento no seu todo e com maior sentido de equilíbrio.

A tudo isto assiste, com a habitual passividade, a nossa Câmara Municipal, que também cedeu, através de protocolo a Escola P3 à RTP, SA, para instalação da nova sede da Delegação da Horta e até hoje nada foi feito, nem será. Um edifício abandonado pelo Governo Regional por causa do amianto e que hoje alberga muitas instituições do associativismo da nossa ilha, numa verdadeira e abusiva irresponsabilidade do nosso Município, mas a seu tempo darei atenção a este assunto. 

Talvez seja a hora dos responsáveis da RTP/RDP Açores na Horta e o senhor presidente da Câmara Municipal se juntarem, conversarem, alinharem argumentos e reunirem com a administração da Empresa Pública de Rádio e Televisão para saber qual será o futuro da RTP na ilha do Faial e lutarem pelo que é nosso, seguindo o bom exemplo que vem da Terceira. 

Sem firmeza e determinação não defendemos o que é nosso. Quem nos representa deve isso à história, aos que construíram a Rádio e a Televisão nos Açores, aos profissionais da RTP/RDP que trabalham nesta ilha e a todos os faialenses, pois só com energia, clarividência e capacidade reivindicativa conseguimos defender o futuro dos nossos filhos. 

 

 

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