Orçamento da coligação de direita é irresponsável e um regresso às políticas de cortes da troika

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O Orçamento do governo da coligação de direita para o próximo ano é irresponsável” e é um regresso às políticas de cortes da troika, de Passos Coelho e de Paulo Portas. “Não há responsabilidade quando se cortam 140ME no investimento público, quando os Açores mais precisam”, disse António Lima, que anunciou o voto contra do Bloco de Esquerda.

O deputado do Bloco diz mesmo que este é “um orçamento que desiste dos Açores” e que, “como se fazia no tempo da troika, opta por implementar intencionalmente na região a mesma política de terra queimada, disfarçando-a com pequenos aumentos de complementos regionais”.

António Lima lembra que “Passos e Portas cortaram, cortaram e cortaram e não reduziram a dívida pública”, para salientar que “cortar no investimento público, promovendo a contração da economia, pode levar ao aumento da dívida pública face ao PIB, o contrário do pretendido”.

“Francisco Sá Carneiro afirmou: ‘Tal como acontece nas relações entre nações ricas e pobres, a aplicação do modelo capitalista de desenvolvimento conduz a que, dentro de um mesmo país, seja cada vez maior a distância que separa ricos e pobres’, recordou António Lima, assinalando que “o PSD há muito que deixou a doutrina de Sá Carneiro para aplicar a receita de Passos Coelho e da troika”.

António Lima lamenta que a maioria PSD, CDS e PPM recuse “um aumento decente dos salários” no sector público e no sector privado e a “regulação de preços”, que seria importante para permitir às famílias enfrentar os efeitos da inflação e do aumento dos juros na habitação.

Em vez disso, “a estratégia de desenvolvimento económico do governo passa por baixar impostos sobre os lucros dos que ganham com a inflação, enquanto a mesma inflação, todos os dias, tira salário a quem trabalha”, disse o deputado.

António Lima disse que “não há responsabilidade” num governo que não aumenta salários, que herdou uma saúde de rastos mas investe cada vez menos no sector, que insulta os médicos e coloca em risco a prestação de cuidados de saúde, que descarta centenas de trabalhadores que asseguraram o funcionamento de serviços públicos durante anos, que põe em risco as ligações diretas com o exterior da Região a milhares de açorianos com a privatização da SATA, que deixa mais de 800 crianças sem vaga em creche, e que promove a mineração do mar profundo.

O deputado do Bloco não deixou de referir as responsabilidades e as incoerências da IL e do Chega na atual solução de governo: “De irresponsabilidade em irresponsabilidade o governo, a IL e o CH comprometem o futuro ao falhar aos açorianos e açorianas hoje, em nome dos amanhãs que cantam. De nada serve dizer, como a IL, que quem tem ódios de estimação não pode governar, se no dia seguinte aprova mais um orçamento”.

O Bloco de Esquerda entregou um conjunto de 37 propostas de alteração ao plano e ao orçamento da Região para 2023 que “servem, acima de tudo, para apresentar um caminho diferente e sinalizar falhas concretas”, concluiu António Lima.