Os Imperadores

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A atividade política democrática tem como objetivo contribuir para uma melhor sociedade, gerar riqueza e a sua redistribuição e aumentar o bem estar da população em áreas fundamentais, como a saúde e a educação, entre outros serviços públicos.

Deverão ser os homens bons de cada comunidade a ser chamados a participar neste acto de cidadania quase nobre.

Nos tempos modernos, com todo o conhecimento e informação de que se dispõe, há outro pressuposto a atingir em política, a excelência ou quiçá a perfeição.

Esta perfeição passa não só pelo saber e pelo saber fazer, com conhecimento, mas também pela capacidade, diria superior, de quando se comete erros, primeiro admiti-los, e depois rever e atualizar estratégias e colocá-las de novo em prática.

Pelo contrário, existem outras formas de fazer política menos democrática, como na Roma antiga, com imperadores déspotas, teimosos, que governam muitas vezes contra o próprio povo, chegando ao ponto nomear um cavalo como cônsul!

Ora, o instrumento de informação mais precioso de que um político dispõe são os Censos; a sua leitura e interpretação política deveria ser tão importante como um início de legislatura, requerendo parar e analisar o que está bem e refletir sobre o que necessita ser corrigido.

Verificar nos Censos que as populações rurais estão a diminuir, ameaçando a desertificação e, consequentemente a desvalorização dos bens móveis, da produção agro-pecuária, entre outros aspectos negativos como a diminuição do rendimento das famílias e empresas dessas localidades, com impactos na redução da coleta, isto é, menos impostos que a Região arrecada.

Há forçosamente que parar e analisar se, por exemplo, há uma relação directa entre o encerramento das escolas em meio rural e a diminuição da população, e além disso ser capaz de verificar todo um conjunto sócio económico e não apenas ter em consideração alguns estudos. De facto, o assunto é tão sério que tem de ser analisado numa perspectiva multi sectorial; para além duma directora regional, para além duma Secretaria, tem de ser todo o governo e o seu presidente à cabeça.

Comungo, infelizmente, com alguns líderes de opinião, universitários inclusive, que ao analisarem os Censos dos Açores, acusam este modelo autonómico de estar errado, falido.

Nesta conjuntura e perante a experiência política, a perfeição que se exige e o conhecimento de que se dispõe, não seria sensato rever a estratégia concentracionista de fechar escolas no meio rural a favor dos centros mais populosos? Será que as medidas já adoptadas não são aceleradoras e causadoras de mais desertificação? Não estará a cura a ser a doença?

E concretamente na ilha do Faial, considerando a nossa realidade, faz sentido fechar a escola no Salão?!

É demasiado mau para se perceber tal disparate! Melhor daria para perceber se estivéssemos na Roma antiga, governada por um imperador, pois mesmo com toda a informação disponível (Censos), após um espectáculo em que o povo, razão de ser da democracia, pede com o dedo voltado para cima para salvar esta população que lutou com mérito e com todas as suas forças, e por direito – e estamos num Estado de Direito – merece a sua escola aberta, o imperador sentencia com o polegar para baixo!!!

Esta ação retira a qualidade de governante bem informado, bom decisor, conhecedor de erros e com capacidade eficaz de corrigir, no momento certo, qual imperador da época romana…

Mas o cúmulo desta questão foi a maioria socialista da Câmara Municipal da Horta ter aprovado um voto, compreendendo o fecho da Escola do Salão!!!

Faltam palavras para descrever tal tomada de posição bárbara, um triste espelho do que temos, um autêntico baixar de braços para apanhar na cara, a total demissão das competências municipais. . .

Estamos muito mal com estes imperadores!

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