Promoção Turística – O Faial num colete-de-forças!

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 Nos últimos artigos dedicados ao turismo, centrei a minha atenção sobre os transportes. Outra componente fundamental deste sector económico estratégico é a promoção.

A Região tem forçosamente que se promover lá fora, apostando fortemente, com custos por cama superiores a outras regiões que estão já mais desenvolvidas e são mais competitivas no mundo do turismo.

Esta obrigação tem várias justificações. Primeiro, quando a Região se promove turisticamente, leva consigo, em teoria, todos os operadores privados, beneficiando-os a todos; em segundo lugar, se os privados se coordenarem para se promoverem, será sempre um sector turístico e nunca o global, e os operadores que não se associarem podem inclusivamente ficar de fora. Em terceiro lugar, deve caber à Região conceber a mensagem a passar a nível global, para bem posicionar os Açores nos mercados turísticos, garantindo assim a eficácia pretendida.

Esta eficácia será o retorno que os operadores, todos, obterão, e que será, obviamente, superior ao esforço que eles mesmos, em organização ou isolados, conseguiriam obter, para além do valor turístico e social que a Região ganha com esta promoção.

Contudo, esta promoção regional não deve servir de desculpas para os operadores não investirem em promoção, devem estes, duma forma sábia, potencializar esta facilidade e fazer as suas acções de marketing, se possível coordenadas com as regionais, obtendo assim mais ganho evidente.

Entretanto, também os privados constituíram associações regionais e sectoriais para promover os seus produtos, facultando às empresas ferramentas de promoção que isoladamente não obtinham, para além de incentivarem o desenvolvimento de um conceito muito importante numa região pequena como a nossa, co-petição, em vez de competição. As empresas têm de perceber que devem cooperar entre si, e não competir, em atitudes que só perdem valor.

Outro aspecto importante da promoção em associações são as sinergias que são disponibilizadas, que permitem perceber a cadeia de valor e construir produtos competitivos. É o que acontece quando se sentam à mesma mesa hoteleiros e similares, transportadores, agências de viagens, marítimo-turísticas, entre outros.

Ora, no actual estado de desenvolvimento do turismo dos Açores, onde já dispomos de unidades de hotelaria, de transportes aéreos e de associações de promoção, deve-se colocar a questão de qual é o papel e o peso do Faial neste contexto. Estamos, infelizmente, muitos furos abaixo!

Ao nível da associação de turismo dos Açores, as quotas são muito altas para os empresários faialenses poderem ser associados em grande número e serem beneficiados com as inúmeras acções que esta associação promove, quer ao nível nacional, quer ao nível internacional. Há, pois, que baixar as jóias e os valores das quotas, se não, não chegamos lá, nem como associados, muito menos ao nível da direcção.

Ao nível da associação regional de turismo, que tem feito um trabalho louvável de organização do sector de animação turística, que em muito tem dado valor às nossas empresas, continua com o poder centrado na ilha Terceira, não se conseguindo ter poder para desenvolver o produto Triângulo.

Com o objectivo de colmatar esta lacuna, foi criada uma associação de promoção da marca Triângulo, todavia os empresários faialenses ainda não colheram qualquer fruto das sementes lançadas por esta associação.

Apesar da Direcção Regional de Turismo estar sedeada na Horta, o seu director exerce mais – e muito bem – a sua actividade fora de portas, num esforço hercúleo de nos promover. Esse vazio poderia ser compensado com um delegado de ilha de turismo, que – pasme-se! – não existe e muita falta faz para coordenar e potencializar determinadas oportunidades.

A associação de municípios das ilhas do Triângulo parece padecer da mesma virose de ausência de iniciativa e de intervenção para a qual foi criada. Quanto ao nosso município, o desnorte é grande, não possui estratégia definida, encomenda estudos a terceiros que depois não segue, faltando assim orientação e inovação.

Em resumo, até na promoção turística o Faial precisa de se encontrar, precisa de agentes, de pessoas que, dentro destas organizações, quer governamentais, quer associativas, públicas e privadas, tenham o Faial como ilha fundamental para o turismo dos Açores e o defendam com eficiência, para sairmos deste colete-de-forças.

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