Agora pagamos todos!

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A atividade política de governação de um povo, de um país ou de uma região pressupõe inúmeros e elevados princípios de atuação (igualdade, transversalidade, distribuição da riqueza, para citar apenas alguns), assim como capacidades de liderança, de bons políticos, de líderes carismáticos, democráticos e conhecedores da realidade local, nacional e internacional.

Destes princípios, manda a democracia que o interesse do povo se deve sobrepor ao interesse do partido, e que as ações governativas constituam a melhor aplicação dos dinheiros públicos, abrangendo o maior número de cidadãos e, no caso particular dos Açores, o maior número de ilhas.

Pelo contrário, a tendência de governar para o partido é o erro mais grave que se poderá cometer ao nível democrático.

Um desses erros foi cometido recentemente, com consequências muito graves para todos nós. Em vez de se fazer aquilo que deve ser feito, isto é, aplicar os impostos dos açorianos em investimento público, aplicou-se em gastos demagógicos e políticos. Refiro-me à compensação dos salários dos funcionários públicos com rendimento superior a 1500 euros. Ora, numa altura em que se estava a impor sacrifícios aos portugueses, quando a nível internacional olhavam para nós como esbanjadores de dinheiros públicos e, consequentemente, responsáveis pelo desequilíbrio das contas públicas, toma-se esta medida?!

Ironizando, até parece aquele ministro do Iraque que, com as bombas a cair na sua cidade, dizia estar a ganhar a guerra. Infelizmente, este ato é da mesma grandeza de força, de quem não quer ver a realidade e de quem só vê o seu umbigo, leia-se, o do seu partido.

Obviamente, no dia do julgamento, sentados com a Troika, estávamos como o cão com a sua cauda metida, os Açores estavam com a sua posição negocial muito enfraquecida, e nem o “amigo” de Lisboa nos apoiou. Resultado? Quem se tramou? Todos nós Açorianos!

Aumento do IRC, isto é, trama as empresas e a sua competitividade na altura que mais precisavam; aumento significativo das taxas do IVA, tramando e de que maneira todos nós, consumidores, contribuindo mais ainda para a redução do nosso rendimento disponível; e, qual cereja em cima do bolo, a redução das transferências do Estado, que diminuirão o investimento público na Região.

Mas o que causa estranheza neste momento é como, agora, duma forma acelerada, se está a tomar medidas mais restritivas e de reduções de apoios, quando há medidas que só serão aplicadas após a constituição da nova assembleia da república.

Sim, é estranho que quem defendia esta autonomia e gastava em vez de investir agora pareça ser o melhor aluno nos cortes, dos quais o mais emblemático é a aplicação das taxas moderadoras na saúde que – pasme-se! – não são do agrado de quem as ordena e do estado social que defende.

É, pois, legítimo suspeitar que estas medidas agressivas do que nos foram impostas são feitas agora para que o ónus negativo das mesmas recaia sobre o atual presidente.

Sim, dando espaço para que, caso abdique do cargo de presidente, o próximo titular não tenha que tomar medidas impopulares, facilitando-lhe o caminho político para as eleições de 2012.

Mais uma vez, e caso se venha a confirmar, estamos perante políticos a pensar única e exclusivamente no seu partido e não no povo, os quais deviam governar com transparência e seriedade.

Estarmos a ser governados por quem toma medidas eleitoralistas, e consequentemente, em benefício do próprio partido, com a situação caricata de termos um presidente de esquerda, dando machadadas no estado social, e continuando a fazer jogadas políticas representa apenas uma coisa, que agora pagamos todos do nosso bolso esta má política.

                                                                                   frgvg@hotmail.com

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