PAN/Açores repudia a ideia de introduzir falcões na reserva protegida do ilhéu de Vila Franca

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DR/PAN Açores

PAN/Açores lamenta que, para limitar a população de gaivotas, uma espécie protegida, a autarquia da Vila Franca do Campo tenha a audácia de sugerir a introdução de uma espécie predadora e não-endémica na área do ilhéu de Vila Franca, onde nidificam mais duas espécies protegidas e monitorizadas pela SPEA, como o Cagarro e o Garajau-comum.

A introdução do Falcão irá causar entropia no fino balanço do ecossistema criado para as três espécies endémicas: as gaivotas, os cagarros e também os garajaus, mais conhecidos como as Andorinhas do mar, sendo estas espécies protegidas pelo Decreto-Lei n.º 140/99, da preservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens, para os quais foram criados, tanto programas de protecção como programas de erradicação de espécies predadoras dentro do próprio ilhéu.

As amostras recolhidas e enviadas para Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a 27 de Julho, dentro do Ilhéu de Vila Franca do Campo e na zona circundante, revelam que as bactérias fecais (Escherichia coli e Enterococcus intestinais) detectadas são de origem humana e animal.  Não existe honestidade política quando se afirma que a falta de qualidade de água no Ilhéu e suas imediações sejam unicamente provocadas pelas aves da reserva natural.

Conforme comunicado pela SPEA e corroborado pelo PAN/Açores, se existe um número maior que o habitual de população de gaivotas na Reserva Natural de Vila Franca do Campo, esta deve-se “às fontes de alimentação de origem humana como os seus desperdícios”.

O PAN/Açores, e havendo suspeitas sobre a integridade do emissário submarino, questiona a inexistência de uma ETAR na área analisada, antes da emissão de descargas para o mar sem qualquer tratamento. Visto que a estrutura submarina apresenta 30 anos e uma possível deterioração, e após falhas pontuais no funcionamento por vários anos consecutivos, os problemas com a qualidade da água na zona protegida são uma inevitabilidade. Culpar as aves é apenas justificar o desleixo dos responsáveis ao longo dos anos.

“Quando ouvimos as declarações do Sr. Ricardo Rodrigues, que pretende introduzir uma espécie predadora para extinguir uma espécie protegida, há um sentimento de retorno ao passado com o uso de métodos empíricos e criativos para acabar de vez com as gaivotas seja em Ponta Delgada como Presidente da AMISM, que tutela a Musami, ou em Vila Franca como Presidente da Câmara. Relembramos que já em 2016, o PAN/Açores denunciou o uso indevido de Pentobarbital de Sódio para envenenar as gaivotas e a Secretaria Regional do Ambiente multou a Musami, finaliza Pedro Neves, porta-voz do PAN/Açores.

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