Paula Decq Mota, cabeça de lista da CDU à Assembleia Legislativa pelo Faial “Estou bastante preocupada com o rumo que o governo regional dos Açores quer dar ao Faial”

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Paula Decq Mota pretende assumir o lugar de deputada, caso seja eleita, e mostra-se preocupada com o facto de muitas decisões importantes para a ilha serem tomadas sem
a auscultação dos faialenses. Elege a saúde, educação, agricultura e pescas, e o turismo como aspetos essenciais para a ilha do Faial, bem como os tradicionais investimentos estruturantes.

TRIBUNA DAS ILHAS – Apre-senta-se às próximas eleições legislativas regionais como cabeça de lista do seu Partido pelo círculo eleitoral da ilha do Faial. Quais são as principais razões que motivaram a sua candidatura?
PAULA MOTA – Decidi candidatar-me a estas eleições porque, ano após ano, não me tenho sentido minimamente representada pelos atuais deputados eleitos pelo Faial, e sinto que muitos faialenses sentem o mesmo que eu. Sou uma faialense atenta ao que se passa e muito preocupada com o rumo que aqueles que nos governam parecem querer dar à nossa ilha. Quero uma ilha onde os meus filhos tenham vontade de viver, quando forem adultos, e não é esse o rumo que vejo.
Além do mais, a minha postura na vida pública faialense sempre foi interventiva e ativa, em várias questões do dia a dia. Não faria sentido, quando convidada, decidir não aparecer. A política faz-se todos os dias, junto das pessoas, mas o espaço de campanha eleitoral é, por excelência, um espaço de reflexão e debate.

TI – Se for eleito(a) deputado(a) regional irá cumprir o seu mandato na Assembleia Legislativa Regional?
PM – Sim, pretendo assumir. O trabalho de deputado não é um trabalho solitário e, nesse sentido, posso afirmar que tenho uma excelente equipa e, se for eleita, poderei contar com esse apoio.

TI – Como é que se posicionará perante as principais matérias que vão estar em cima da mesa na próxima legislatura, como sejam, entre outras, o reforço da Autonomia, o novo Quadro Comunitário de Apoio e as relações entre o Estado e a Região?
PM – A CDU é uma defensora da autonomia, que está consagrada na Constituição. Não é uma posição fechada, claro, e ao longo dos anos houve reforço dessa autonomia, que deu espaço a um maior poder legislativo. Qualquer tentativa de aproximação de um modelo presidencialista ou com reforço de poderes para um “presidente dos Açores” não acompanhamos, porque foge completamente ao sistema nacional e ao que está consagrado na Constituição.
O próximo Quadro Comunitário é muito importante, mas alerto para a necessidade de não cedermos a pressões que nos empurram para que sejamos uma tentativa de economia de escala, e que pela nossa dimensão nunca seremos.

TI – Como analisa o investimento que o Governo Regional tem efetuado na ilha do Faial? Acha que a percentagem de investimento que o GRA tem inscrito nos orçamentos regionais deve ser mantida ou aumentada?
PM -Estou bastante preocupada com o rumo que o governo regional dos Açores quer dar ao Faial. Para mim é evidente que as decisões relativas ao Faial não têm em conta as pessoas da ilha, nem sequer são ouvidos os eleitos pelo Faial. As decisões são tomadas em S. Miguel, onde não escondem a sua visão centralizadora. O investimento tem sido manifestamente insuficiente, deixando de fora ou limitando grandemente os investimentos mais importantes para a ilha.

TI – Qual é sua posição relativamente aos necessários investimentos estruturantes para a ilha, como sejam a ampliação da pista do aeroporto, a construção do novo Porto, da 2.ª Fase da EBI da Horta e do Estádio Mário Lino, as Termas do Varadouro, e a reabilitação das estradas regionais, nomeadamente a construção da 2.ª Fase da Variante?
PM – Esse conjunto de investimentos são a razão da minha preocupação. Esta lista de investimentos é estruturante e decisiva para o desenvolvimento do Faial, em especial a 2.ªfase do Porto e o Aeroporto, mas também a 2.ªfase da variante. Na minha perspetiva, o governo regional não tem demonstrado qualquer intenção de forçar o aumento da pista do aeroporto, nem sequer para a construção das zonas de segurança. Em relação ao Porto, o projeto apresentado vai, potencialmente, “matar” o porto da Horta e isso é preocupante. O Porto da Horta necessita de ser reordenado, disso não tenho dúvidas, mas a obra prevista para lá é altamente prejudicial. Basta ouvir muitas das pessoas que conhecem e trabalham no Porto da Horta. Eu, não sendo especialista na matéria, dou muito valor ao que os conhecedores do nosso Porto afirmam, pois são pessoas que prezam muito a sua terra e estão preocupadas com as consequências que uma má obra pode ter. Não me convence minimamente o estudo que está a ser feito no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), pois não está a ter em conta o tipo de ondulação que mais prejudica o nosso Porto, que é a ondulação de norte, provocada pela má orientação do molhe norte.
Em relação à variante, os Faialenses foram sendo enganados e iludidos. A desculpa apresentada pelo governo de que não avançaram com a obra pois respeitaram uma petição de 300 subscritores que não queriam a variante não é credível, uma vez que há uma outra petição com 2600 subscritores a defender a construção da 2.ª fase, como decisiva para o desenvolvimento da ilha. Esses faialenses sim, foram ignorados. Outra razão apresentada é a falta de verbas, de fundos comunitários, que até é ridícula, pois há poucas semanas foi anunciada uma variante em Miguel., por sinal muito maior.

TI – Em termos de atuação política, quais são as outras matérias que considera prioritárias e que pretende defender na Assembleia Legislativa nos próximos quatro anos em prol da ilha do Faial? O que defende em termos de transporte aéreo e de mercadorias?
PM – Penso que há questões essenciais que dizem respeito aos Faialenses e que são essenciais para o nosso futuro. Por um lado, refiro-me à saúde e à educação. Relativamente à saúde, é preocupante o estado de degradação do Bloco A do Hospital da Horta, o que demonstra bem a falta de rumo no que respeita às decisões do governo. No que respeita à educação, é urgente avançar-se com a 2.ª fase da EBI da Horta, pois as nossas crianças do segundo ciclo continuam a passar a maioria dos intervalos nos corredores da escola. Não têm ainda sala de convívio nem um espaço próprio para as aulas de educação física.
Noutro campo, tenho que referir o setor produtivo, nomeadamente a agricultura, a pecuária e as pescas. Os agricultores e os pescadores têm que ser valorizados pelo seu trabalho e têm que ser criados incentivos para a manutenção de produtos de qualidade e para manter a atratividade da produção. É preciso não esquecer que o sector produtivo, agricultura, pecuária e pesca e as atividades transformadoras que deles derivam, lacticínios, processamento de carnes, processamento de pescado e conservas de peixe e o fabrico de alguns fatores de produção diversos, são e continuarão a ser a base mais sólida e constante de toda a economia regional.
Também não posso deixar de mencionar o turismo, importante para qualquer região. Atualmente, o tempo de estadia dos turistas no Faial tem vindo a diminuir e é urgente criar condições para mudar essa tendência. A reabilitação das Termas do Varadouro seria muito importante, neste aspeto. Pretendemos um turismo de qualidade, sustentável, pois é esse que cria emprego todo o ano. Pretendemos um turismo de natureza, mas também é muito importante potenciar o turismo ligado ao mar. Neste aspeto, saliento a necessidade da aposta na invernagem dos barcos no Faial, que pode criar um dinamismo económico importante na nossa ilha.

TI – Sabendo-se das restrições colocadas pelas autoridades de saúde, no âmbito da pandemia COVID-19, de que forma pretende combater a elevada abstenção registada nos últimos atos eleitorais? Como realizará a sua campanha eleitoral?
PM – Posso afirmar com toda a segurança que todas as ideias que temos são sinceras e ponderadas, e que a vontade de defender o Faial é grande. Acreditamos que isso pode fazer a diferença porque as pessoas sentem algum descrédito em relação aos “políticos” e em relação aos atuais eleitos pelo Faial. Esperamos que esta nossa postura possa ajudar no combate à abstenção porque as pessoas poderão rever-se em tudo aquilo que defendemos. Em relação à pandemia, é importante esclarecer as pessoas e criar condições para que possam votar com segurança. Penso que isso é perfeitamente possível, embora também tenha a consciência que a situação pode ser diferente de ilha para ilha. Ao longo da campanha iremos adaptar todas as iniciativas ao contexto de pandemia que estamos a viver, mas não iremos abdicar do contacto direto com os faialenses, cara a cara.

TI – Qual será a sua estratégia para manter e, eventualmente, reforçar o seu eleitorado?
PM – Não sei se pode chamar de estratégia, mas procurarei pautar o meu contacto com as pessoas pela honestidade, seriedade e ideias concretas, ideias que as pessoas sintam que têm impacto na sua vida. Não vou deixar de lembrar que o Faial ficou a ganhar no passado com um maior equilíbrio das forças políticas aqui na ilha. Relembro que já elegemos anteriormente um deputado pelo Faial e essa eleição foi decisiva para desbloquear várias situações (como a fábrica da CALF) e serviu para impor limites a muitas situações abusivas que eram prática na atuação política do governo.
Estamos há 24 anos a lidar com um governo PS, dos quais 20 foram em maioria absoluta. Todos os vícios e formas de atuação de quem está amarrado ao poder estão bem patentes. Aliás, aquilo que os dirigentes do PS criticavam relativamente ao PSD nos anos 90, fazem agora, porventura numa escala ainda maior. Só é possível acabar com esta postura e estas situações abusivas dando mais força à CDU.
TI – O que pretende dizer aos faialenses para que decidam votar em si e no partido que representa?
PM – Aquilo que digo aos Faialenses é muito claro. Somos uma força diferente das outras. Não tenho qualquer intenção de fazer “carreirismo político”. Apresento-me com um único objetivo de mostrar uma visão de futuro para o Faial, que atualmente não existe. Gosto muito da minha ilha e tenho a convicção que pode desenvolver-se muito mais e com mais qualidade. Queremos uma ilha em que as pessoas queiram cá viver e atraia novas pessoas, isto tudo num quadro de desenvolvimento harmonioso das nove ilhas dos Açores. Acrescento que me acompanha uma lista que muito me orgulha, repleta de gente com vontade de ver o nosso Faial próspero, gente apenas comprometida com a defesa da nossa ilha, sem outros objetivos mais ou menos escondidos. Queremos dar aos Faialenses as opções que merecem e outras caras e ideias podem ser a diferença entre mantermos o rumo ou fazermos um desvio que nos conduz a um sítio melhor.
Relembro que a força do Faial será tanto maior quanto a força daqueles que, na realidade, o defendem.

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