Pelo Faial…

0
60
TI
TI

1 É incompreensível que, até ao dia de hoje, ninguém se tenha manifestado publicamente contra o enorme atentado cultural, histórico e patrimonial que tem vindo a ser praticado em toda a zona fronteira à Pousada de Santa Cruz pelas obras da Frente Mar.
Na verdade, perante a insensatez demonstrada pela entidade responsável pela obra – Câmara Municipal da Horta – de, em momento algum, suspender a execução dessa obra por não ser compatível com os ditames daquele espaço, associada à completa ausência de pronúncia por parte da Direção Regional da Cultura, assistiremos, daqui a uns dias, à inauguração de uma zona cinzenta de pedra serrada que vem retirar o brilho, a beleza e a importância do local.
Seria de esperar que a população faialense não ficasse impávida a assistir a mais uma agressão do seu património por quem tem a obrigação de o preservar. Será que para a realização desta parte da obra foi solicitado o necessário parecer da Direção Regional da Cultura e, em caso afirmativo, qual o seu conteúdo?
2 Continua em deplorável estado a rede de estradas da ilha, quer as da competência do Governo Regional, quer as que são pertença do Município da Horta. E quem sofre com tudo isto é não só o faialense, mas também aquele que nos visita, o turista que percorre as nossas estradas, esburacadas e com piso degradado, em busca da natureza, das paisagens ou dos nossos monumentos.
Pode o Governo dizer que hoje está a avançar a reabilitação da reta de Pedro Miguel e a estrada do mato. Mas e toda a restante rede viária? Com esta insignificante amplitude de intervenções, daqui a quantos anos estaremos com todas as estradas regionais reabilitadas?
Do lado do Município, a rapidez em reabilitar estradas também não tem sido o seu forte. Efetivamente sabe-se que, apesar da autorização concedida este ano para a obtenção de um financiamento de 600 mil euros com vista à recuperação de algumas estradas municipais, apenas há uns dias foi lançado um concurso público para reabilitar menos troços de estrada do que aqueles que estavam definidos.
Por este andar, certamente que só daqui a muitos, muitos anos, veremos todas as estradas municipais reabilitadas.
3 Foi aprovado mais um Plano e Orçamento. Para o ano de 2020, tal como fiz questão de frisar num anterior escrito, teremos documentos semelhantes ao ano de 2019.
Todavia, a bancada municipal socialista e o próprio Presidente da Câmara não pensam dessa maneira. Entendem que estes documentos devem manter-se imutáveis desde o início até ao final do mandato, daí não terem efetuado qualquer alteração nos mesmos.
Na Assembleia Municipal, a apreciação e discussão daqueles dois instrumentos de governação do Município foi acesa, sobretudo entre o PSD e José Leonardo Silva, pois pairava a dúvida acerca da sua aprovação por parte da maioria.
Depois de muitas trocas de argumentos, de um lado e de outro, prevaleceu aquela que tem sido a regra ao longo dos anos – a aprovação do Plano e Orçamento do Município da Horta.
4 Continuamos a ver passar, nos céus, aviões da TAP. Ficámos a saber, na semana passada, que a TAP irá aumentar a frequência de ligações semanais da capital a Ponta Delgada e criar uma nova rota de Ponta Delgada a Boston.
É mais uma machadada nas aspirações faialenses em ver regressar à ilha a transportadora aérea nacional. Apesar das reuniões com a cúpula da TAP e do constante alimentar de expetativas aos faialenses que a TAP chegará novamente ao Faial, fomos, mais uma vez, completamente esquecidos nesta nova abertura de rotas.
Não vi o Município, partido político local ou entidade empresarial pronunciar-se acerca do facto de, nesta decisão da transportadora aérea nacional, não ter sido prevista a rota de Lisboa-Horta.
E assim vamos pelo Faial…

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO