O Governo dos Açores vai constituir um grupo de trabalho para elaborar um Plano Estratégico dedicado às sete raças autóctones da Região, com o objetivo de definir, para os próximos dez anos, medidas de preservação, valorização e promoção deste património genético.
“A Raça do Ramo Grande, o Burro da Graciosa, o Pónei da Terceira, o Cão Barbado da Terceira, o Cão de Fila de São Miguel, a Brava dos Açores e o Gado Catrina fazem parte da nossa identidade e queremos construir uma estratégia que assegure a sua preservação e valorização no futuro”, afirmou o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura.

O anúncio foi feito durante o 8.º Dia do Criador da Raça do Ramo Grande, realizado em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
O grupo de trabalho contará com a participação de entidades ligadas ao setor e ao conhecimento científico, entre as quais a Federação Agrícola dos Açores e a Universidade dos Açores, procurando estabelecer uma abordagem de médio e longo prazo que considere as dimensões histórica, cultural, económica e social destas raças.
Para António Ventura, a valorização deste património passa também pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos criadores, responsáveis pela manutenção das raças e pelo crescimento dos respetivos efetivos.
“A preservação das nossas raças autóctones só é possível com os criadores. É fundamental reconhecer e apoiar quem, geração após geração, mantém vivo este património genético dos Açores”, salientou.
No caso da Raça do Ramo Grande, existem atualmente 2.607 animais e 262 criadores. São Jorge concentra 1.206 animais, correspondendo a cerca de 46% do efetivo registado na Região.
O Governo dos Açores reforçou, em 2024, em 25% o apoio à manutenção desta raça no âmbito dos fundos comunitários, sendo atualmente atribuído um apoio de 250 euros por animal adulto inscrito no livro genealógico.
Desde 2021 está igualmente em vigor um apoio destinado à preservação das juntas de bois da Raça do Ramo Grande, criado através da Portaria n.º 133/2021, de 29 de dezembro. Em 2026, foram aprovadas 34 candidaturas, correspondentes a 79 juntas de bois das ilhas de São Jorge, São Miguel, Terceira e Faial.
Este apoio procura preservar uma dimensão histórica e cultural associada à utilização destes bovinos, tradicionalmente caracterizados pela sua tripla aptidão para a produção de carne, leite e trabalho agrícola.
As juntas de bois continuam hoje presentes em cortejos etnográficos e festividades tradicionais, designadamente nas celebrações associadas ao culto do Divino Espírito Santo, contribuindo para preservar práticas ligadas à história rural açoriana e para divulgar a raça junto da população e dos visitantes.
A sua presença nestas manifestações assume particular significado também para a diáspora açoriana, mantendo uma ligação às vivências e às atividades agrícolas de gerações anteriores.
A valorização da Raça do Ramo Grande contempla igualmente a vertente económica. Desde janeiro de 2022, a “Carne Ramo Grande DOP” encontra-se registada e publicada no Jornal Oficial da União Europeia, distinguindo um produto cujas características estão associadas ao sistema de produção e às condições naturais do arquipélago.
O pastoreio ao longo de todo o ano, favorecido pelas condições dos Açores, bem como as práticas de maneio adotadas pelos produtores, contribuem para características diferenciadoras da carne ao nível do sabor, tenrura, suculência e coloração.
“A Raça do Ramo Grande construiu os Açores ao lado dos Açorianos. Sem estes bovinos não era possível desbravar e arar as terras”, destacou António Ventura.
Com a elaboração do Plano Estratégico para as sete raças autóctones, o Governo dos Açores pretende estabelecer uma visão integrada para a próxima década, conjugando a conservação do património genético com a sua valorização económica, histórica, cultural e social e reconhecendo o papel determinante dos criadores na continuidade deste legado.

















