Poema “Horta das Tradições”

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HORTA- FAIAL

Cisaltina Martins

A minha homenagem ao maestro e amigo Engº Norberto Oliveira

          I
HORTA bela e feiticeira
És cidade marinheira
Berço de navegadores
Tens um passado de glória
Que nos orgulha da história
De Nobre Povoadores
Em teu porto naus antigas
Descansaram das fadigas
E deixaram seus Brasões
Da odisseia nos mares
Cá erguem seus altares
Dentro em nossos corações
II
Cidade das companhias
Dos Cabos, Telegrafias
Que ligaram mundos novos.
Foste sempre pioneira
E de todas a primeira
A acarinhar os seus povos.
Alimentaste de carvão
Os navios que então
Abraçaram o teu cais
E belos conquistadores
Cá deixaram seus amores
Num adeus de nunca mais!

III
Minha ilha cor d’anil
Pintada de hortênsias mil
Como a tela de um pintor
E o sorriso do teu rosto
Que se renova em agosto
Tem cada ano mais cor
Há sempre um “aventureiro”
A ver se chega primeiro
Ao regaço da marina
E pela graça benedita
Na muralha deixa escrita
A mensagem peregrina

IV
Nas pedras do teu basalto
Oiço ‘inda o bater do salto
D’algum vendedor certeiro
O pão quente, ou o jornal
O Gilberto do canal,
Ou o Machadinho carteiro
N’agua fresca das ribeiras
As bonitas lavadeiras
Coravam o enxoval
São estas as recordações
Que mostram por gerações
Como era o FAIAL!

V
Vem comigo rapariga
Entoar esta cantiga
De calor e de paixão
Nas tasquinhas d’avenida
Com sabores à mod’antiga
Dás alento ao coração
E quando for madrugada
Na cidade enluarada
Onde tudo é d’encantar
Desde a Conceição à Guia,
Tudo vai em romaria
Para a Semana do Mar.

HORTA, agosto 2007

Cisaltina Martins