Poesia reunida de Álamo Oliveira

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Victor Rui Dores
Victor Rui Dores

Há poetas que têm a vida que escrevem. Álamo Oliveira, poeta maior com mais de 60 anos de escrita publicada, é um deles. E é autor de difícil catalogação, pois que em nenhuma estética e em nenhuma ideologia se entrincheirou.

Deste terceirense acabo de ler, com genuína satisfação, Versos de Todas as Luas (Companhia das Ilhas, 2021), que reúne a sua poética quase toda. E desde logo se apossa de mim uma convicção: a de que este autor terceirense sempre esteve na linha da frente das preocupações da moderna poesia portuguesa.

Com efeito, as 497 páginas do referido livro são atravessadas por poemas de uma permanente e perene modernidade. Isto é, poesia de todos os tempos e de todos os lugares. Este sentido de modernidade está na maneira hábil como Álamo Oliveira, poeta de agudíssima sensibilidade e de apreciáveis recursos sensoriais, soube e sabe situar-se entre uma tradição literária e poética, e uma renovação dessa mesma modernidade.

Agora reunida, a poesia alamiana ganha, sem sombra de dúvida, uma outra consistência, uma outra unidade, um novo fôlego. Trata-se de uma poesia que combate a simplificação hipócrita da vida e busca decifrar o enigma dos dias. E mergulha no lado de lá da verdade ilusória, denunciando e renunciando, agindo, reagindo, sonhando, pensando e sentindo.

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