Presente envenenado

0
25
TI

Passou mais um ano e nada de novo aconteceu no que respeita ao justo anseio dos faialenses de perspetivarem um próximo Verão normal no que respeita ao transporte aéreo durante a dita época alta, que ocorre em julho e agosto. Foi, na verdade, sem surpresa que tomámos conhecimento do anúncio feito na passada semana pelo Grupo SATA, propagandeando que iria aumentar a oferta na rota Lisboa-Horta-Lisboa. Como sublinho no título, decidiram brindar-nos com um presente envenenado, na sequência de terem retirado ao Aeroporto da Horta ligações e lugares ao longo de 2018. Mantendo-se fiéis à política de desvalorização do Faial, o “presente” deste ano resume-se na colocação de mais um voo em meses de menor procura, com o intuito oculto de fazer baixar as taxas de ocupação e, através dessa manobra perversa, futuramente apresentarem um dado estatístico fabricado para “justificar” mais cortes subsequentes de voos e lugares. Esse objetivo é tão claro que nem esboçaram adoçar o “presente”, porventura juntando à nova oferta uma campanha de preços apetecíveis e a almejada promoção da rota. Mas, como bem sabemos, tal não será acontecerá, conservando-se intacta a política de preços altos da rota e uma inexistente promoção do nosso destino.
Entretanto, também na semana passada, em sede de Comissão de Economia da ALRA, o Secretário Regional dos Assuntos Parlamentares, Berto Messias, que representou a Secretária Regional dos Transportes, Ana Cunha – cuja falta aplaudimos, pois assim poupou-nos ouvir mais uma catilinária de inverdades em relação à nossa rota – ao ser questionado sobre a falta de lugares entre os dias 19 de agosto e de 13 setembro de 2018, assumiu que os dados estavam errados, uma vez que tinha sido entre 24 de Agosto e 13 de Setembro, que tinha decorrido o período de 21 dias consecutivos sem oferta lugares para se sair ou chegar ao Faial, salientando que, nalguns desses dias, nem via Terceira nem por São Miguel foi possível resolver o bloqueio. Perante a mais que provável repetição do mesmo cenário durante o corrente ano, que solução nos apresenta o Governo Regional dos Açores e o Grupo SATA? Oferecem mais um voo em abril, maio, setembro e outubro! E relativamente aos meses em que, efetivamente, as nossas taxas de ocupação rondam os 100% – para os quais se justificaria, plenamente, a oferta de mais um voo – nenhum reforço é concedido, continuando os senhores e senhoras que nos (des)governam a assobiar para o lado, fazendo de conta que o problema se resolve por si.
É útil que saiba que o número 247.048 representa o novo recorde de passageiros do Aeroporto da Horta, alcançado em 2018, apesar da efetivação da política de retirada de voos e lugares irresponsavelmente levada a cabo pelo Grupo SATA. Apesar dos constrangimentos impostos, em 2018 houve um crescimento de mais 8540 passageiros. Um resultado verdadeiramente notável, tendo em conta o aperto do “garrote” com que quiseram estrangular-nos, ainda mais acentuado pelas desvantagens impostas à rota, caracterizada por preços altos e ausência de promoção.
Neste contexto, valerá a pena salientar alguns dados relevantes. A taxa de ocupação no verão IATA de 2018, respeitante à rota Lisboa-Horta-Lisboa, foi de 82% e o total anual foi de 78%, sendo que, a esta ocupação é indispensável acrescer as mais de 630 toneladas de carga e 184 toneladas de correio transportadas nos dois sentidos. Tendo em conta esta realidade indesmentível, daqui lançamos uma vez mais o desafio, a quem de direito, para que sejam divulgadas as taxas de ocupação de passageiros, transporte de carga e correio de todas as rotas Lisboa – Açores, quer sejam rotas OSP ou liberalizadas. A Azores Arlines é propriedade do GRA, todos nós somos contribuintes e temos o direito de conhecer toda a verdade, para que haja um cabal esclarecimento público sobre a racionalidade – ou ausência dela – em que assentam os critérios de gestão da empresa e, por essa via, se ponha termo a todas as formas de manipulação de informação e campanhas baseadas em publicidade enganosa. E não seria descabido se também fossem divulgadas as taxas de ocupação respeitantes às rotas de Cabo Verde e Frankfurt…
Fazendo um resumido balanço às atividades do Grupo Aeroporto da Horta desenvolvidas em 2018, aproveito esta oportunidade para relembrar que realizámos uma manifestação junto à Assembleia Legislativa Regional em protesto contra a retirada de lugares e voos por parte do operador de transporte aéreo que tão mal nos serve, organizámos o Fórum Acessibilidades Aéreas ao Faial, que contou com a presença do relator do Plano Junker, Dr. José Manuel Fernandes, promovemos a colocação de um cartaz para recordar os compromissos assumidos, num passado recente, pelos dois últimos Presidentes do Governo Regional, relativamente à ampliação do Aeroporto da Horta, reunimos com o novo Presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA, fomos convidados pelo Conselho de Ilha do Faial para fazer parte de um grupo de trabalho sobre acessibilidades aéreas e, mais recentemente, lançámos a nossa página na internet.
Neste início do novo ano, estamos cientes de que alguns faialenses esperam muito mais de nós, enquanto sabemos que outros, menos bem-intencionados, preferiam que o nosso Grupo não existisse. O certo é que, contra ventos e marés – e sem interesses ocultos – o nosso Grupo não desistiu, nem desistirá, de prosseguir o rumo que inicialmente traçou, e que consiste no permanente empenho em elevar o nome do Faial ao lugar a que tem legítimo direito, nomeadamente investindo os nossos escassos meios num contributo socialmente útil, por forma a reduzir os constrangimentos a que somos sujeitos pela penalização constante que é imposta às aeronaves A320 que aqui operam e lutando, em várias frentes, tendo em vista garantir uma melhor prestação de serviços por parte da companhia que opera no nosso aeroporto.
Nada nos move contra ninguém. Apenas exigimos respeito pela nossa ilha, enquanto pugnamos pelo inalienável direito ao progresso das gentes do Faial e das suas gerações vindouras. Na verdade, só falta libertarmo-nos do garrote!
Para tanto, torna-se vital que a “promessa” escondida no artigo 59º do Orçamento do Estado de 2019 se transforme numa realidade concreta, a curto prazo, já que a renegociação do acordo com a ANA/VINCI, há poucos dias firmado, não contemplou o nosso Aeroporto.
Continuaremos atentos e empenhados, neste ano decisivo para o futuro do Faial.

Grupo Aeroporto da Horta
https://aeroportodahorta.wixsite.com/aeroportodahorta

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO