O Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Luís Garcia, defendeu ontem, na cidade da Horta, a necessidade de motivar e envolver mais as mulheres na política local.
“Acredito que as mulheres acrescentam valor e são respeitadas no exercício de cargos públicos, incluindo os cargos políticos”, disse o Presidente Luís Garcia, sublinhando que “alterar esta situação deve constituir um desígnio de cidadania, e desde logo dos legisladores, porque a constituição da nossa sociedade não é assim tão desequilibrada”.
Falando na apresentação do livro “A Mulher e o Poder Local”, de Cristina Silveira, que teve lugar ontem à noite da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, o Presidente do Parlamento açoriano, considerou que é “nesta motivação que temos todos de trabalhar, envolvendo-as e convidando-as para trabalhar em cargos políticos, convencendo-as a não ter medo de dar a cara, em vez de se deixarem ficar sempre escondidas nos bastidores, onde frequentemente marcam presença e para onde mais facilmente se voluntariam”.
Para o Presidente do Parlamento açoriano, a obra ontem apresentada, editada pela Junta de Freguesia da Matriz, constitui “uma chamada de atenção para “o défice da participação das mulheres no poder local”, pois se há 46 anos, no começo do poder local democrático, “esse défice era esperado, a verdade é que a evolução tem sido lenta”.
“Talvez demasiado lenta”, afirmou o Presidente Luís Garcia, sublinhando que “das 13 Juntas de Freguesia do Faial, apenas duas são presididas por mulheres”, que dos 19 Municípios dos Açores “só quatro municípios têm mulheres na presidência” e que das 128 Juntas de Freguesia da Região são associadas da ANAFRE “apenas 30 são presididas por mulheres”.
“A lei da paridade pode ter dado uma ajuda, mas está longe de ter sido suficiente, sobretudo nos lugares de maior destaque, onde continuam a prevalecer os cargos exercidos por homens”, sublinhou o Presidente Luís Garcia, reconhecendo que “o caminho a percorrer, para garantir uma maior e mais equilibrada participação de mulheres na vida política, é muito longo”.
Considerando que “ser autarca, sobretudo de freguesia, é um ato de cidadania dos mais nobres”, o Presidente da Assembleia deixou ainda “um apelo a todos homens, mas especialmente às mulheres, para que se disponibilizem” mais para a vida autárquica.
O Presidente Luís Garcia aproveitou também a ocasião para “reconhecer o poder local pelo seu papel no desenvolvimento das nossas ilhas, concelhos e freguesias”, agradecendo a todos os que dedicam o seu tempo ao serviço do poder local.











