Primeiro ensaio das Chamarritas junta cerca de 200 pessoas

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A Chamarrita é um dos bailes tradicionais mais antigos dos Açores.  Cada vez mais jovens tentam aprender com o intuito de irem passando o conhecimento de geração em geração e assim manter esta tradição.

Este ano, integrado nas festividades da Semana do Mar, a Câmara Municipal da Horta (CMH) lançou o desafio a todos os faialenses de porem as tradicionais Chamarritas no livro dos recordes do Guinness. O primeiro ensaio realizou-se quarta-feira e o segundo realiza-se hoje, pelas 20h30. A  atuação para o record do Guinness será no domingo pelas 20h00, junto ao palco principal das festas.

“Esta ideia surgiu de um cidadão faialense e eu como vereador da cultura achei que seria muito interessante e desencadeei todos os contactos”, explicou Filipe Menezes, vereador da cultura da CMH.

De acordo com o vereador foram analisadas duas hipóteses. A primeira consistia na vinda de uma pessoa ao Faial, com o intuito de fiscalizar, avaliar o baile e contar o número de participantes. A segunda, que foi a escolhida, passa por fazer vídeos e fotografias, enviá-las para o livro dos recordes do Guinness para poderem avaliar a estrutura e a dimensão do evento.

No primeiro ensaio realizado na passada quarta-feira, a iniciativa juntou cerca de 200 pessoas que se distribuíram por sete rodas. Neste dia, a organização lançou o desafio a todos os participantes para que transmitam o evento para que no próximo ensaio e mesmo no domingo apareçam mais pessoas. “A conversa de boca é aquela que corre melhor e se correr bem hoje as pessoas transmitem umas às outras”, adiantou, na ocasião, Filipe Menezes.

A autarquia tem boas expetativas para domingo, dia da demonstração para o record do Guinness. Segundo o responsável pela pasta da cultura na CMH, a organização “mandou fazer um chapéu de palha que irá ser distribuído aos primeiros 500 participantes na chamarrita. Daí que as expetativas sejam chegar a esse número de participantes”.

 

Grupos Folclóricos da ilha presentes nos ensaios

A organização desta iniciativa teve como ideia inicial ter apenas um mandador e fazer um baile único com várias rodas. “Tive reuniões com todos os grupos folclóricos e disseram-me que desta forma era difícil porque na chamarrita é muito importante o contacto visual com o mandador. Decidimos então, numa segunda reunião, que seria melhor um mandador em cada roda”, salientou Filipe Menezes.

Os mandadores, tocadores e bailadores presentes nos ensaios e no domingo exercem as mesmas funções nos grupos folclóricos onde estão inseridos. De acordo com a organização “optámos por estes elementos porque são os que mais se envolvem nas chamarritas ao longo do ano”.

Durante o ensaio da passada quarta-feira, os elementos dos grupos folclóricos ajudaram na preparação e divisão das rodas. No ensaio de hoje e no domingo primeiro formam-se “as rodas, cada uma terá um mandador que juntamente com os elementos dos grupos folclóricos irá fazer um período de demonstração e em seguida todos os elementos estão convidados a vir bailar”.

“Mesmo que esta chamarrita não entre no livro do recordes do Guinness, queremos que esta iniciativa seja uma coisa engraçada. A ideia foi, nas maiores festas do concelho, tentar que as pessoas adiram e venham bailar visto que há um grande interesse à volta disto”, afirmou Filipe Menezes.

Os faialenses estão muito envolvidos nesta tradição e no fim de qualquer baile e festa há sempre uma chamarrita.

Com base neste interesse, “a CMH apela a todos os que sabem este baile, que venham dar o seu contributo, que desçam à Semana do Mar para bailar e ensinar todos os interessados”, disse o vereador da cultura salientando que “nesta altura do ano nota-se um aumento de turistas na ilha e é importante dar a conhecer a nossa cultura e as nossas tradições”. Desta forma, todos os interessados em participar nesta iniciativa podem comparecer no ensaio de hoje à noite que se realiza pelas 20h30 ou no domingo às 20h00 junto ao Palco Principal das festas.

 

 Jovens querem manter tradição

Nuno Carlos tem 28 anos, pertence ao Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel e tem todo o gosto em participar neste evento. “Faço questão de deslocar-me onde há chamarritas, porque é um gosto que tenho desde criança”, disse. Nuno Carlos afirmou que esta iniciativa é muito importante, “porque irá mostrar a cultura destas ilhas”.

Francisco Pimentel faz parte do Grupo Folclórico dos Flamengos e sabe bailar a chamarrita há cerca de 27 anos. Este grupo inicia todos os anos, pela altura da Quaresma, uma época de aprendizagem deste baile e “cada vez mais há um aumento dos interessados”. Para Francisco Pi-mentel é “muito importante transmitir estes conhecimentos aos mais novos, uma vez que se trata da cultura, história e tradição desta ilha”. Desde que se iniciou a escola de chamarritas nos Flamengos já se ensinou mais de 500 pessoas a bailar. 

 

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