Projeto Portugal Náutico apresentado na Horta

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 O projeto Portugal Náutico, promovido pela AEP em parceria com a Oceano XXI, pretende chamar a atenção dos agentes económicos e institucionais para o potencial da náutica em Portugal, através da criação de uma rede que consolide as competências do país no setor da náutica de recreio e que dê corpo a uma estratégia coletiva que conduza à organização e desenvolvimento do mesmo.

A Associação Empresarial de Portugal – AEP – e o Oceano XXI – Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar em Portugal apresentaram na tarde da passada sexta-feira, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Horta o projeto Portugal Náutico.

A AEP – Associação Empresarial de Portugal, que tem como missão a promoção da dinâmica empresarial e a sua internacionalização, decidiu desenvolver um projeto dedicado ao desenvolvimento de uma estratégia para a náutica de recreio em Portugal.

Por sua vez, a Oceano XXI é uma associação privada sem fins lucrativos responsável pela dinamização do “Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar”, Estratégia de Eficiência Coletiva reconhecida em 2009 pelo Programa COMPETE. No âmbito da sua atividade, a Oceano XXI tem realizado um conjunto de iniciativas dirigidas às principais fileiras da economia do Mar de forma a, que conjuntamente com os respetivos atores, sejam encontradas formas de promover o enriquecimento das respetivas cadeias de valor.

Tendo a em conta os mesmos interesses e a necessidade de uma ação conjunta nesta matéria, a AEP e a Oceano XXI decidiram avançar com este projeto, seguindo uma metodologia de envolvimento e abertura à participação dos diferentes atores implicados no tema, especialmente aqueles que se encontram ligados aos desportos náuticos, desde a vela, o remo, a canoagem, o mergulho, a pesca desportiva e as atividades marítimo-turísticas, incluindo as escolas, os clubes, as empresas, organismos públicos, praticantes e todos aqueles que possam contribuir para o desenvolvimento da náutica no país.

Segundo os parceiros, o trabalho a desenvolver procurará valorizar e capitalizar o conjunto de estudos e de projetos já realizados sobre o tema e identificar propostas de ação que possam ter concretização, nomeadamente, no quadro dos instrumentos financeiros do próximo período de programação de Fundos Comunitários.

Este é um tema relevante para a Horta e para Região dos Açores, onde as atividades náuticas se tem afirmado como um pilar de fundamental de desenvolvimento, exponenciando vocação dos Açores para os assuntos do mar.

O repto foi lançado pela Associação Empresarial de Portugal (AEP) e pela associação Oceano XXI,  ao qual o Presidente da Câmara Municipal da Horta, se associou, ao acolher esta sessão nos Paços do Conselho. Na ocasião, José Leonardo Silva, também presidente da Comissão Náutica Municipal defendeu que “a Horta, reúne todas as condições para se afirmar como a centralidade dos Açores, no que toca aos Assuntos do Mar”.

No entender do autarca, este projeto “cruza-se” com os objetivos do Faial e do município, através do pelouro do Mar, Inovação e Empreendedorismo, no sentido de desenvolver uma cultura empresarial “que congregue todos os interesses e conhecimento” no que às questões do mar diz respeito, nomeadamente da náutica de recreio, que tem, segundo o presidente “registado uma grande expansão nos últimos anos”.

“A criação de um Cluster do Mar, aliado a uma oferta integrada e competitiva ao nível dos vários serviços de apoio ao iatista, o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP), na secretaria regional do Mar, Ciência e Tecnologia, na Portos dos Açores, no Clube Naval da Horta, parceiros imprescindíveis que contribuem para a consolidação, na aposta do destino Açores, com o Faial a assumir-se desde logo, como destino de referência na náutica de recreio”, reforçou o presidente.

José Leonardo, acredita que uma oferta, orientada neste sentido para quem visita o Faial, permitirá desenvolver mais ainda, a economia do Mar, sustentando que estão assim, “reunidas todas as condições para o surgimento de profissões ligadas ao mar, e criadas as bases para a aposta em novas áreas de negócio”.

O edil lembrou que a cidade da Horta é muito procurada para “hibernagem” de embarcações de recreio “pelas excelentes condições” que a marina oferece, por isso, alerta para a necessidade de explorar novas oportunidades, apontando o arranque da segunda fase do Porto da Horta, como fundamental para essa estratégia de desenvolvimento.

Também o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia presente nesta sessão, destacou o facto dos Açores participarem em todas a iniciativas que às questões do Mar dizem respeito. “Temos em regra participado em todos os desenvolvimentos de estratégias nacionais para o Mar e em todas as iniciativas que desenvolvem a chamada economia azul”.

A este respeito, Fausto Brito e Abreu referiu, que o Governo dos Açores tem “um interesse especial” por este projeto, adiantando que, “da mesma forma que Portugal, como país, cresce na sua plenitude quando se contempla o Mar, dentro de Portugal, os Açores, sendo pequenos em população e em hectares terrestres, crescem quando se contempla a nossa zona marítima”.

Fausto Brito e Abreu lembrou que Região Autónoma dos Açores tem sabido “usufruir plenamente dos poderes que a Constituição dá para a administração do nosso Mar” dando a garantia que o Governo continuará a criar investimentos no desenvolvimento de uma rede de infraestruturas que apoiam atividades náuticas em portos, distribuídos por várias ilhas, que considera como fundamental para promover a oferta de turismo náutico.

Nesse contexto, destacou, o facto dos, Açores manterem “uma tradição de notoriedade na vela desportiva e nas competições desportivas internacionais”, o que constitui mais uma razão para que o Governo promova, “sempre que pode, o conhecimento da Região Autónoma como um destino turístico de excelência”.

O secretário fez questão de lembrar os vários galardões que os Açores têm recebido, nomeadamente o galardão Platina da Quality Coast, que demonstra o reconhecimento internacional do trabalho que tem sido feito na promoção, turismo sustentado na Região. “Tenho esperança que estes galardões sirvam para atrair o tipo de turismo certo que nos permitirá desenvolver a oferta turística plena, que na área do turismo náutico traz várias mais-valias para setores de atividade muito específicos”, terminou.

Segundo os seus promotores o projeto terá impactos diretos em todos os setores, envolvidos na cadeia de valor da Náutica de Recreio, nomeadamente os ligadas ao desporto, às marinas, às atividades industriais e de serviços relacionados e contribuirá para reduzir as importações que se cifram atualmente nos 75% , através da disponibilização de produtos nacionais.

Maria da Saúde Inácio, do Gabinete de Projetos Especiais da AEP,explicou que a AEP é uma associação que reúne empresários e procura desenvolver os negócios e fomentar a economia. É neste sentido, que pretende atuar na náutica de recreio, como uma possibilidade de desenvolvimento de negócios e da economia do país, nas zonas em que se podem desenvolver estas práticas naúticas, esclareceu.

Segundo Maria da Saúde Inácio, responsável do projeto esta iniciativa “tem como propósito trabalhar a internacionalização da náutica de receio e fazer com que possa ser um negócio”, disse.

A apresentação do projeto esteve a cargo de Rui Azevedo, diretor executivo do Oceano XXI – Cluster do Conhecimento e da Economia do Mar em Portugal  e por Sérgio Ribeiro, da Exertus Consulting.

Nesta sessão, Filipe Porteiro, diretor regional dos Assuntos do Mar do Governo Regional dos Açores, deu a conhecer, através de uma apresentação a evolução da atividade náutica no Faial, nos últimos anos.

O projeto está em execução até meados do próximo ano e foi desenhado numa lógica agregadora, para promover a adesão e a participação de todas as entidades relacionadas com um universo de interesses identificado pela sigla MAR: mar, albufeiras e rios. O projeto, que é co-financiado pelo Compete no âmbito do SIAC, com um investimento elegível de 383 mil euros, envolvendo um incentivo FEDER de 306.mil euros.

O evento na Horta, contou com o apoio da Direção Regional dos Assuntos do Mar e da Direção Regional do Turismo, do Governo dos Açores, da Portos dos Açores, SA e da Câmara Municipal da Horta.   

 

Até ao momento, já foram promovidos quatro seminários: Matosinhos, Peniche, Viana do Castelo e Tavira. Agora o projeto chegou aos Açores, onde foi apresentado na Horta. 

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