Bota abaixo?

0
7

Tenho posto a tónica nos meus artigos na necessidade de chamar a sociedade civil a terreiro, para que esta, nestes tempos que vivemos, tenha voz ativa, participe, dê a sua opinião, ou mesmo que não a dê, mas para que seja informada do que se está a passar, para melhor agir e consequentemente tomar as melhores decisões.

Deve inclusivamente fazê-lo para além das suas corporações, sim, fora das associações sindicais e da associação patronal, e fora dos partidos, que não são os donos da sociedade nem da democracia, pois nos tempos que atravessamos há que sentir a pulsação de todos e saber para onde canalizar esforços e influenciar novas energias.

Está-se a realizar por todos os Açores este tipo de iniciativa, quer nas redes sociais, com debates on-line, quer como o que se verificou em São Jorge na semana passada, a que, para além dos membros do conselho de ilha, assistiram interessados, populares e empresários e onde certamente do debate se fez luz.

Preocupa-me no Faial não haver este tipo de iniciativa, e estamos muito necessitados de tê-las, pois esta ilha parece que perdeu o norte!
Tanto que o partido que está no poder, ao nível governamental e ao nível autárquico, faz conferências de imprensa com acusações de “bota abaixo”, que são representativos de uma acefalia tremenda e uma falta de respeito pelo povo, que merece mais nível dos seus representantes.

Esta expressão é tão ridícula, tanto mais quando poderia ser aplicada milhentas vezes à sua governação, de que relembro alguns exemplos recentes.

Aquando da reunião do conselho de ilha do Faial, o seu presidente apresentou alguns indicadores conjunturais referentes aos Açores e não apenas à ilha do Faial, razão pela qual o presidente da edilidade se furtou a analisá-los.

Poderíamos dizer que o edil “botou abaixo” o seu colega de partido no conselho de ilha, não aproveitando os seus indicadores. Mais, quer dizer que o próprio presidente do município “botou abaixo” a sua competência de saber esses indicadores, revelando não saber, por exemplo, qual a taxa de desemprego da sua ilha, nem o número de beneficiários do rendimento social de inserção.

Esta expressão “bota abaixo” foi igualmente aplicada no assunto das termas do Varadouro, sendo importante dizer que se o governo regional foi PROMOTOR de investimentos em termas nos Açores e depois concedeu a respetiva exploração a privados; então o Faial, com base numa política séria em que há igualdade e equidade, teria os mesmos direitos de atuação governamental. Ou seja, estes governantes da maioria “botaram abaixo” esses princípios fundamentais.

Foi o mesmo presidente do governo que, ele próprio, foi falar com os pescadores de Rabo de Peixe sobre o novo molhe de proteção e o mesmo secretário da economia que apresentou aos Angrenses o novo cais de cruzeiros (e dizendo que não vai parar os investimentos na Praia da Vitória) que “botaram abaixo” a potencialização merecida do primeiro porto da Europa, o da Horta, e nunca tiveram tanta aproximação popular como deveriam ter tido neste processo. E os seus representantes locais ajudaram a “botar abaixo”, pois a sua voz nunca foi ouvida neste assunto.

Foram estes governantes que “botaram abaixo” a nova estação radionaval, a indústria conserveira, sim, “botaram abaixo” o emprego nesta ilha… Enfim, muitos outros exemplos se poderiam enumerar, contudo, tem que haver alguma elevação no discurso.

É, de facto, urgente que a sociedade faialense venha cá para fora, que participe e traga novos valores e novos agentes, que não tenham este infeliz calão na boca, com tanto de demagogia como de ausência de conteúdo.

frgvg@hotmail.com

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO