Muito trabalho e obra são feitos com os dinheiros públicos, incluindo o pagamento de salários dos funcionários públicos, e é justo que ao nível governamental se comunique aos vários agentes da sociedade, mas principalmente às populações, o que é feito com o esforço do seu contributo, isto é, com os impostos de todos nós.
Essa comunicação deve utilizar vários meios – televisão, rádio, jornais, internet, entre outros –, para atingir o maior número de pessoas, passando a mensagem com o conteúdo das políticas que estão a ser seguidas e os resultados da governação, quer sejam obra material, quer seja imaterial.
Esta comunicação é, assim, importante e numa região como a nossa, dispersa por várias ilhas, faz sentido haver um gabinete de apoio à comunicação social que transmita numa linguagem apelativa e uniforme por todos os Açores.
A linguagem deve ser acessível aos vários públicos e não deve servir para propaganda eleitoral, nem favorecer o partido do poder, como sucedeu, por exemplo, quando o presidente do governo foi multado por se ter manifestado nos meios de comunicação públicos a favor do aborto.
Infelizmente, nesta época estival assistimos a uma autêntica propaganda sem conteúdo, que não posso deixar de lamentar e repudiar, pois trata-se de utilizar meios públicos para benefício partidário, de tentativa de valorização de alguns nomes políticos.
No atual momento político, fala-se de quem será o próximo candidato a presidente do governo pelo partido do governo, se o atual presidente (podendo fazer mais dois mandatos do que o espírito da lei recomenda) ou dois dos seus secretários, e ao que assistimos é à presença destas individualidades, mas com conteúdos verdadeiramente inócuos nos órgãos de comunicação social públicos.
Registe-se a exceção do presidente do governo, que tem nesta época estival feito várias inaugurações e transmitido uma mensagem positiva, principalmente aos mais desfavorecidos, que bem precisam nesta época difícil.
Mal têm ficado os candidatos a candidatos. Vir o da ciência e tecnologia a terreiro exigir uma solução rápida para o cabo de fibra óptica para as Flores e Corvo só o deixa mal, primeiro porque teve muitos anos para o fazer e com governo “amigo” em Lisboa, e nunca o ouvimos como agora, com tanta crispação e porque gastou 400 milhões de euros em estradas numa só ilha, quando as “estradas da comunicação”, muito importantes para as Flores e Corvo, são 20 milhões. Isto é propaganda estival sem conteúdo.
Já o secretário da economia teve momentos bons, e sim, justificando-se a sua comunicação, e outros francamente muito pobres, a usar indevidamente estes órgãos públicos de comunicação.
Esteve bem política e tecnicamente na aposta da promoção nacional forte em cima das festas e animações dos Açores. Tratou-se de uma reação rápida ao que todo o mercado turístico estava a fazer, com promoções de última hora; os Açores não podiam ficar de fora, e entraram no jogo, em cima do acontecimento e será uma medida eficaz!
Agora a “visita” ao Pico e Faial correu muito mal. Ir ver os tanques de combustível no Pico, que permitem a ligação directa Pico-Lisboa e dizer que agora é da responsabilidade das companhias aéreas fazerem essa ligação, para além duma crueldade mental aos picarotos e aos empresários turísticos, é a prova de que se tratou de propaganda política estival.
No Faial, vir mirar os incensos da encosta do Varadouro e as janelas partidas das termas, e sabendo-se que para explorar as termas na Ferraria o empresário paga 3000 euros por ano e não teve que correr o risco do investimento, que foi do governo, e vir dizer que procuram empresários para investir 4 000 000 euros nas termas do Varadouro, que o governo lava as suas mãos… aqui está a ser cruel para os Faialenses.
Em suma, estas visitas não acrescentaram qualquer informação adicional nem nenhum valor acrescentado, isto é, com impacto irrelevante nas populações e nos empresários, foram atos de pura propaganda política estival, ainda por cima paga por todos nós.











