PS + 4 ANOS

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O Partido Socialista venceu as eleições na ilha do Faial para a Câmara Municipal, mantendo a maioria absolutaque vinha do anterior ato eleitoral. A hegemonia socialista continua naquele órgão autárquico, apesar da redução significativa do número de votos depositados nas urnas a seu favor, comparativamente com a eleição de há 4 anos.
Tal pode explicar-se pelo desgaste a que está sujeito qualquer partido que governe há mais de 28 anos. Mas também pelo forte adversário e pela expressiva subida da votação da coligação PDS/CDS-PP, na ordem dos 800 votos.
Tudo somado e a diferença entre o Partido Socialista e a Coligação PSD/CDS-PP cifrou-se em apenas 351 votos. A democracia é isto mesmo, e como diz o povo, “por um voto se ganha, por um voto se perde”. O que importa é o resultado final.
Assim, lá para meados de outubro, José Leonardo e a sua equipa tomarão posse como Presidente da Câmara e vereadores com pelouro, respectivamente, para mais um mandato à frente dos destinos da autarquia faialense. Do lado contrário, teremos uma vereação completamente nova, certamente ávida de mostrar trabalho e de dignificar a votação alcançada.
A dúvida que subsiste, característica típica do Partido Socialista local, é a de saber quem ocupará as quatro cadeiras do elenco camarário aquando da tomada de posse. Basta lembrarmo-nos que o hoje deputado Tiago Branco era o 6.º da lista de deputados à Assembleia Legislativa para essa dúvida nos assolar.
Quem não conseguiu ser incluída neste figurino camarário foi Paula Decq Mota que, apesar de ter mostrado preparação e estudo em dossiers relevantes para a ilha, o seu partido, a CDU, manteve praticamente inalterado o resultado eleitoral obtido há 4 anos, o que demonstra que na ilha tem um eleitorado fixo e uma base de apoio estável, mas ainda não suficiente para outros voos.
Aguardava-se um pouco mais desta candidata, mas parece certo que o eleitorado distinguiu claramente, no momento do voto, entre pai e filha, em evidente prejuízo desta.
Quanto ao PAN, que concorria pela primeira vez à Câmara Municipal da Horta, e o Bloco de Esquerda, os resultados obtidos traduzem a pouca expressão destes partidos no contexto político local. Mais, a votação obtida pelo BE mostra a importância que tem para o eleitorado a escolha e o nome do candidato.
Merecedor de muitos créditos e de um enorme capital político, José Decq Mota conseguiu ser eleito para mais um mandato na Assembleia Municipal da Horta. E foi precisamente esta sua votação, juntamente com a de Regina Santos, do PAN, uma das grandes surpresas da noite, que permitiram à Coligação PSD/CDS-PP sair vitoriosa na Assembleia Municipal da Horta e pôr em causa a enorme e prestigiante carreira política de Hélder Silva.
Teresa Ribeiro consegue ser eleita Presidente da Assembleia Municipal com menos 9 votos que Carlos Ferreira, graças à transferência massiva de votos do Partido Socialista para a CDU e para o PAN, o que demonstra que o eleitorado distinguiu entre Paula e José Decq Mota e entre Hugo Rombeiro e Regina Santos. Atrevo-me a vaticinar que se ambos fossem candidatos à presidência da Câmara Municipal da Horta, provavelmente o vencedor das eleições teria sido Carlos Ferreira e não José Leonardo.
Será naquele órgão – Assembleia Municipal – que se vão travar duras batalhas, nomeadamente as respeitantes à aprovação do orçamento do Municipio e à delegação de competências nas juntas de freguesia, e onde se decidirá muito do futuro de José Leonardo e seus pares.
Após ter tirado o PSD do limbo em que se encontrava há dezenas de anos, Estevão Gomes, Presidente da Comissão Política do Faial do PSD, terá, agora, um papel decisivo na manutenção ou não desta solução governativa. Costa Pereira foi apaziguador e criador de consensos enquanto esteve à frente da Assembleia Municipal, e o PSD acabou por ser esmagado nas eleições seguintes.
Por último, mas não menos importante, estas eleições trouxeram-nos a saída de cena, ou talvez não, de figuras de proa do Partido Socialista local. Nos Flamengos, Carlos Rita e nas Angústias, como foi apelidada por Carlos César num comício do PS no Atlético, a dinastia “Costa” tiveram que deixar a cadeira que ocupavam há muitos anos.
No lado oposto, para além de Leónia Machado, na Feteira e Terra Carlos em Pedro Miguel, tivemos o aparecimento de dois nomes importantes, José Bagaço nas Angústias e José “Zeca” Amaral nos Flamengos, ambos a darem mostras de que o PSD pode contar com eles e com as suas freguesias nas próximas eleições autárquicas para tentar, mais uma vez, chegar à Presidência do Municipio.

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