Que futuro para as Flores?

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DR/TI
DR/TI

Tive a feliz oportunidade de passar a primeira semana de junho no grupo Ocidental. Não consigo pôr em palavras o que sinto quando volto às Flores, nem expor o que senti quando vi pela primeira vez o Caldeirão.
Desta vez não deixei nada por explorar. Todos os possíveis recantos, trilhos, atrações, ruas e freguesias que havia a correr, corri. Aliás, andei por elas que correr não é a minha praia. Quanto à viagem: senti nas Flores o máximo que a natureza açoriana tem para dar – e tanto que é! Tanta coisa tão bonita, tão intocada, tão verde numa ilha não tão grande assim é algo que nos corta a respiração e nos deixa permanentemente em suspenso. A cada quilómetro há uma possível fonte de inspiração para que verbalizemos um “que lindo!”. Seja por entre as caldeiras, pelo Poço da Ribeira do Ferreiro, a passar pelo Mosteiro, a apanhar banhos de sol na Fajã Lopo Vaz, na queijaria da Fajãzinha, seja a jantar no Papadiamandis ou na Aldeia da Cuada tudo sabe a autêntico e a impagável. E sim, nasci e cresci nos Açores e mesmo assim não consigo não ficar espantado.
O meu conselho para quem quiser ir pela primeira vez é simples: reservem antes de lá chegar o seu veículo (sob pena de ficarem a pé) e vejam bem os horários dos supermercados, especialmente em domingos e feriados. De resto é se deixar levar. Tudo vale a pena e a paz que as Flores vos permitem ter não deve ser afetada por computadores ou smartphones. Evitem ao máximo distrações, tirem as vossas fotos para meter inveja a quem está a trabalhar, mas não percam o que a maravilhosa ilha ali tem ao vosso dispor.
Passando ao Corvo, não há muito a dizer: a Vila é o que se espera, bonita e arranjada, a subida para o Caldeirão e todas as casas de pedra que lá se encontram dão uma beleza singular e o chegar lá acima… Não sei explicar, mas atrevo-me a dizer que de tudo o que conheço desta região que me viu nascer (só falta Santa Maria, a ver se aproveito as passagens a 60 euros ida e volta) é sem dúvida a beleza natural mais incrível que temos. Nem é uma questão de cortar a respiração, é algo que eleva o espírito.
Voltando às Flores: ninguém pode negar que a natureza da ilha é tudo, e no seu todo é, para mim, a mais bonita dos Açores. No entanto, enquanto por lá se circula nas estradas, todas em ótimo estado, fica a sensação que está morta. As freguesias, a própria vila das Lajes estão desertas.. Em Santa Cruz há algum movimento de facto, mas os locais sabem e dizem que por toda a ilha nascem poucas crianças e morre muita gente. E os números não escondem isso de algum tempo a esta parte.
Não vou neste texto apresentar uma solução milagrosa para a sangria populacional que lá se vive mas não deixa de ser bom pensar sobre isto: que futuro para as Flores? 

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