Realojamento das Dutras

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    O Faial foi violentamente abalado por um forte sismo, na madrugada de 9 de julho de 1998 – fez agora 19 anos – que motivou a perda de vidas e arrasou grande parte do parque habitacional de toda a ilha.
    O que aparentava ser um tranquilo amanhecer de mais um dia de verão, transformou-se – num curto espaço de tempo, que na ocasião pareceu uma eternidade – num gigantesco pesadelo que não deixou ninguém indiferente com a ansiedade, o sofrimento e a dor de muitos faialenses pela perda de vidas humanas e de grande numero habitações e outros bens materiais. Nas primeiras horas foram verificadas 9 mortes, mais de uma centena de feridos e alguns milhares de desalojados, com cerca de 1500 casas parcial ou totalmente destruídas.
    Foi imediata a reação de todas as entidades responsáveis pela gestão de catástrofes, estando na primeira linha a proteção civil local e regional (com todos os organismos que integram estes serviços) a que se associaram muitas outras instituições e a própria população.
    À semelhança da restante ilha, a cidade e a freguesia da Matriz também foram fortemente atingidas.
    As Juntas de Freguesia também foram logo envolvidas nas ações imediatas de socorro e, numa iniciativa articulada, num terreno na área do Bairro da Boa Vista foram, nos primeiros dias, instaladas tendas para acolhimento de famílias com crianças e idosos com receio de permanecer nas suas moradias.
    Mais tarde e após a constituição do Centro de Promoção da Reconstrução (CPR) e do levantamento das reais necessidades de alojamento para sinistrados da freguesia da Matriz foram instalados pré-fabricados num terreno municipal nas Dutras, localizado entre a rua Francisca Cordélia de Sousa e a rua Dr. Manuel Inácio de Sousa. 
    Para este terreno, na altura, havia um projeto de requalificação urbana, mas devido à emergência do momento a Câmara Municipal em total coordenação com a Junta de Freguesia não tiveram dúvidas em indicar este local para a instalação dos pré-fabricados para alojar os sinistrados. 
    No realojamento das Dutras foram instalados vários pré-fabricados, de diversa tipologia, e ali ficariam provisoriamente por largo tempo vários agregados familiares até que, no quadro do processo da reconstrução,passassem a ter alojamento definitivo.
    Acontece, porém, que o processo de realojamento definitivo de sinistrados do terramoto de 1998, quase vinte anos depois, parece ainda não estar encerrado e no realojamento das Dutras ainda permanecem em pré-fabricados dois agregados familiares.
     
    Esta realidade, quase vinte anos depois, não é aceitável porque os agregados familiares que ainda ali habitam têm direito a ter uma habitação digna e definitiva e, ao que tudo indica, estão a ser vítimas de burocracias e problemas que lhes são alheios e que eternizam a sua permanência em pré-fabricados.
    Todos os responsáveis políticos, tanto governamentais como autárquicos, gostam de nas suas narrativas discursivas apregoar que “as pessoas estão em primeiro lugar”, masconvivem, com aparente naturalidade, com este prolongar intolerável de situações que se arrastam no tempo – por quase vinte anos – sem uma solução definita que melhore a qualidade de vida e a dignidade de algumas pessoas, no caso sinistrados do sismo de 1998.
    Ao mesmo tempo que a situação destes agregados familiares não se resolve, por resolver fica também a requalificação de uma área do domínio público municipal, localizada numa zona nobre e moderna da freguesia da Matriz e da cidade, e que já merecia ter outro aproveitamento urbano, ser requalificada, para valorizar a zona alta da freguesia e ficar ao serviço da comunidade.