Resíduos Urbanos – Produzidas 137.339 toneladas nos Açores em 2017

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A secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo apresentou, na passada semana, o Relatório de Resíduos Urbanos referente ao ano de 2017, destacando-se um aumento de 4,28% na produção desses resíduos comparativamente ao ano anterior.

O documento referente ao Relatório de Resíduos Urbanos 2017 foi apresentado em Ponta Delgada pela secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, tendo esta afirmado que “os Açores estão a implementar, com sucesso, uma estratégia baseada na prevenção e redução da produção de resíduos, acompanhada do incremento substancial da reciclagem”.
Para Marta Guerreiro a prevenção e a redução da produção de resíduos têm de “estar na linha da frente das políticas públicas”, destacando que esse trabalho, “longe de concluído, tem já sido fundamental para a alteração de hábitos e para o aumento da consciencialização ambiental”.
A governante regional frisou ainda que, apesar do “sucesso” das medidas do executivo, ainda “há muito a fazer juntamente com o esforço de todos, Governo, municípios e cidadãos, numa mudança de paradigma que já permitiu concretizar uma das mais profundas reformas no que diz respeito à gestão dos resíduos”.
De acordo com o Relatório de Resíduos Urbanos respeitante ao ano de 2017, foram produzidas 137.339 toneladas de Resíduos Urbanos (RU) na Região Autónoma dos Açores, o que correspondeu a mais 5.635 toneladas do que no ano anterior (131.704 toneladas), e se traduziu num aumento da produção de 4,28%.
Refere o respetivo Relatório que esse aumento da produção “confirma a inversão iniciada no ano anterior e acontece depois dois anos consecutivos de redução dos quantitativos produzidos (2014 e 2015). Esta nova tendência é imputável, sobretudo, ao aumento da população flutuante na RAA, em resultado do incremento dos fluxos turísticos, com impactes em quase todas as ilhas”.
O maior aumento relativo da produção de RU registou-se em Santa Maria (18%), sendo, em parte, resultado do controlo efetivo e rigoroso da generalidade da produção, em decorrência do encerramento do aterro e da instalação de uma nova báscula no CPR.
Na generalidade das ilhas, com destaque para São Miguel onde se registaram aumentos nos últimos três anos, concretamente de 1,7% em 2015, 4,8% em 2016 e 5,4% em 2017, a evolução é imputável, sobretudo, à variação da população flutuante, em resultado do incremento dos fluxos turísticos.
Destaca o mencionado Relatório que, verificando-se uma consolidação da oferta turística, “é expectável que se mantenha uma tendência de aumento da produção de resíduos na RAA, pelo menos, nos próximos dois anos, aproximando-se das previsões do PEPGRA”.
Acrescenta, ainda, o documento que em 2017, cada açoriano produziu, em média, 561 kg de Resíduos Urbanos (RU), sendo um valor acima das médias nacional (483 kg/hab) e da União Europeia (474 kg/hab em 2014), o que se traduziu numa capitação média diária na RAA de 1,54 kg.

 

Região cumpre estratégia plasmada no PEPGRA

Segundo o Relatório de Resíduos Urbanos 2017, nos últimos anos a Região “progrediu significativamente no tratamento de resíduos urbanos” e no cumprimento do princípio da hierarquia da gestão de resíduos, nomeadamente com o aumento da valorização em detrimento da eliminação, “tendo valorizado, em 2017, mais de metade dos RU produzidos (51,3%), o que resulta do incremento da valorização material e orgânica e da valorização energética”.
“A evolução registada ao longo dos últimos anos permite inferir que a Região Autónoma dos Açores está em condições de cumprir com as metas do PEPGRA, desde que, até 2020, entrem em funcionamento as infraestruturas previstas para São Miguel”, salienta o relatório.
No ano de 2017, a taxa de preparação para a reutilização e reciclagem fixou-se em 35,9% (meta de 50% em 2020) e os resíduos urbanos biodegradáveis (RUB) eliminados em aterro corresponderam a 63,02% da quantidade de referência (meta a alcançar em 2020 é de 35%).
Nota o referido documento que a retirada de algumas embalagens do âmbito das novas licenças de SIGRE e a adaptação dos SGRU à implementação das mesmas e ao procedimento de alocação, condicionou a expedição de materiais para reciclagem, com prejuízo para a taxa de reutilização e reciclagem em 2017.

 

Flores, Corvo e Santa Maria cumprem objetivo de “aterro zero”

Verifica-se que em 2017, nas sete ilhas com menor população e onde estão instalados os Centro de Processamento de Resíduos (CPR) procedeu-se à valorização material (reciclagem) e orgânica (compostagem) de mais de metade dos RU aí produzidos.
Na ilha Terceira foram destinados à valorização mais de metade dos respetivos RU produzidos em 2017, contabilizando, para este efeito, os resíduos submetidos a valorização energética.
Destaca-se ainda o facto de três ilhas do arquipélago, nomeadamente, Flores, Corvo e Santa Maria, terem atingido a valorização de 100% dos resíduos e o objectivo de “aterro zero”, em 2017, tendo valorizado a totalidade dos respetivos RU, dos quais 85,0%, 84,1% e 81,8% foram encaminhados para valorização material e orgânica, e 15,0%, 15,9% e 18,2% para valorização energética, respetivamente.
Apesar de não ter havido deposição de RU em aterro na ilha Graciosa, uma parte (8,4%) do refugo do respetivo CPR foi eliminada no aterro intermunicipal de São Miguel.
No ano de 2017, a ilha de São Miguel foi a única em todo o arquipélago que manteve o aterro como destino da maioria (73,7%) dos respetivos RU.
Salienta o relatório que “estes resultados são consequência da maior consciencialização das populações, da melhoria da eficiência dos SGRU, bem como da entrada em pleno funcionamento dos CPR das sete ilhas com menor população e da CVE da ilha Terceira”.
Por último, o relatório faz ainda referência às medidas para a redução do consumo de sacos de plásticos nos Açores, as quais induziram uma “mudança substancial nos hábitos dos consumidores na RAA, promovendo a substituição dos sacos de plástico descartáveis por meios alternativos e reutilizáveis”.
“Em 2016 e 2017, foram distribuídos menos 83,3 milhões de sacos de plástico do que em 2015, retirando do consumo, nesses dois anos, cerca de 541,5 toneladas de plástico”, conclui o relatório.