Rio considera que só “ideia brilhante” permitirá “ajustamentos” à lei de nomeação de familiares

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O presidente do PSD, Rui Rio, mostrou-se hoje disponível para “ajustamentos” à lei nomeação de familiares para cargos políticos ou públicos, mas considerou “difícil” legislar nesta matéria “a menos que apareça uma ideia brilhante”.

“Fazer uma lei para esta situação é praticamente impossível. Estou disponível para todas as propostas e mais algumas. Pode haver alguém com uma ideia brilhante, uma ideia que não sei qual. Podemos fazer um ajustamento à lei”, admitiu Rui Rio.

O presidente do PSD foi questionado sobre a polémica das relações familiares em cargos de poder, nomeadamente no Governo, tendo repetido que considera que “este é um problema ético, e não legal”, mas mostrou-se disponível “estudar propostas”, isto no dia em que foi tornado público que o Presidente da República defendeu que mudar a lei exige uma alteração “muito simples” e “muito pequenina”, não sendo necessário um novo diploma.

“A determinada altura blindamos de tal forma a coisa que as coisas não funcionam”, disse, por sua vez, Rui Rio, que falava no Porto na iniciativa ECO Talks, promovida pelo jornal económico online, ECO.

Numa conversa que durou cerca de uma hora, na qual o líder do PSD falou de temas como a Caixa Geral de Depósitos, eleições europeias, lei de bases da saúde ou redução da carga fiscal, Rio disse que as relações familiares são “uma marca do PS”.

“Isto é uma cultura muito própria do PS, mais do que nos outros. É uma marca muito mais forte no PS, mas os outros não estão imunes a isto”, referiu.

Questionado sobre qual considera ser o principal mérito de Mário Centeno, Rui Rio respondeu: “O resultado final em termos do défice e não o da dívida pública”. O líder do PSD quis, aproveitando esta pergunta, esclarecer que o atual Governo está “a pagar o que deve ao FMI e agora ao Banco Central [Europeu]”, ou seja, continuou, “a pagar a um credor, para se endividar com outros”.

Já ao responder à pergunta sobre se “compromete a baixar a carga fiscal se for primeiro-ministro”, respondeu de forma vaga, começando por garantir ser “diferente do PS” nessa matéria porque, disse, “ganhando PS a carga fiscal fica na mesma ou sobe e “ganhando o PSD a carga fiscal não sobe e pode descer”.

“A carga fiscal atingiu um patamar brutal. Em cada orçamento procurarei ver onde tenho possibilidade de baixar um bocadinho (?). O crescimento económico é vital para pagar a dívida e conseguir receitas, tenho na hierarquia das minhas prioridades, na gestão da carga fiscal, privilegiar a redução ou o ajustamento. A política fiscal tem de olhar para o que primordial para as empresas”, afirmou.

E perante a insistência sobre se assumia que pretende baixar o IRC se ganhar as legislativas, Rui Rio apontou, sem concretizar, que “em nome da popularidade diria que o IRS é o que tem de baixar imediatamente”, mas “em nome do futuro do país” prefere “correr o risco das manchetes serem altamente impopulares”.

O presidente do PSD também não revelou se o seu partido vai votar a favor ou contra a Lei de bases da saúde, considerou que o Serviço Nacional de Saúde “tem problema que este Governo agravou e muito” e que a discussão neste momento deste tema serve para “dar a aparência de que [o PS] está a fazer alguma coisa”, através de uma lei de bases que “não terá consequências diretas pois é estratégica”.

Por fim, Rui Rio disse que não é favorável à criação de impostos europeus, considerando que “isso vai contra a soberania dos países”, disse que considera justas as “taxas nas transições digitais” sobre “gigantes da economia que têm uma tributação muito abaixo e níveis de rendibilidade muito grandes” e, questionado sobre o que seria um bom resultado nas Europeias, apontou percentagens.

“Nas últimas o PSD, com CDS teve 27,7%, Se retirar o CDS, teve 19 ou 20%. Um bom resultado é subir muito. Um ótimo resultado é ganhar. Temos de subir significativamente”, concluiu.

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