Rui Martins, cabeça de lista do CDS-PP à Assembleia Legislativa pelo Faial – “As pessoas podem contar comigo para defender os interesses e os direitos dos faialenses na ALRA”

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Rui Martisn candidato do CDS-PP pelo Faial

No próximo dia 25 de outubro os açorianos e os faialenses são chamados a votar para as eleições legislativas regionais, que para além de eleger o Presidente do Governo dos Açores, permite aos açorianos escolher quais os deputados que consideram que melhor vão defender os seus interesses e os da sua ilha no parlamento açoriano.
Desde o início de setembro que as diferentes forças políticas começaram a formar as listas e a apresentar os cabeças de lista aos círculos eleitorais de cada ilha. Rui Martins apresenta-se como o cabeça de lista do CDS-PP pelo Faial.
Ao Tribuna das Ilhas o candidato, revelou quais os motivos que o levaram a aceitar novamente este desafio e garantiu que se for eleito irá cumprir o seu mandato na Assembleia Legislativa regional até ao fim.

Tribuna das Ilhas – Apresenta-se às próximas eleições legislativas regionais como cabeça de lista do seu Partido pelo círculo eleitoral da ilha do Faial. Quais são as principais razões que motivaram a sua candidatura?
Rui Martins – O que me move e me impele a abraçar um desafio destes é o sentimento de dever cívico e de serviço público que caracteriza a minha vida. Trabalho no Hospital da Horta (HH) e na última Legislatura tive a oportunidade de exercer as funções de deputado à ALRA durante 1 semestre, onde me dediquei a trabalhar em prol dos faialenses e dei resposta a alguns dos meus compromissos eleitorais de há quatro anos, como sejam o CAO da APADIF, que infelizmente vi chumbado pelos deputados socialistas do Faial. Regressei ao HH com naturalidade e voltei a desempenhar as minhas funções lado a lado com os meus pares. Considero que não deve haver lugares cativos nos cargos públicos de representação, e sei que o Faial é bem mais plural do que a representatividade dada ao PS e PSD.

TI – Se for eleito deputado regional irá cumprir o seu mandato na Assembleia Legislativa Regional?
RM- Sim, sem margem para dúvidas. Compreendo a pergunta porque nos últimos anos temos assistido a vários candidatos postiços na nossa ilha, mas não é definitivamente o meu caso.

TI – Como é que se posicionará perante as principais matérias que vão estar em cima da mesa na próxima legislatura, como sejam, entre outras, o reforço da Autonomia, o novo Quadro Comunitário de Apoio e as relações entre o Estado e a Região?
RM- A autonomia é uma conquista da nossa democracia. Para servir os açorianos, tem que ser uma realidade dinâmica que permita prosseguir os objetivos de desenvolvimento da Região e bem estar dos açorianos a conformar as suas linhas programáticas. Os açorianos precisam de respostas na educação, na saúde, no emprego e na solidariedade e a nossa autonomia tem que ser capaz de corresponder. Para isso é necessário que o reconhecimento dos Açores como Região ultraperiférica seja consubstanciado em mais apoios por parte da União Europeia e que o Estado Português cumpra para com a nossa Região o princípio da solidariedade e da continuidade territorial

TI – Como analisa o investimento que o Governo Regional tem efetuado na ilha do Faial? Acha que a percentagem de investimento que o GRA tem inscrito nos orçamentos regionais deve ser mantida ou aumentada?
RM – A questão dos investimentos na nossa ilha é ciclicamente propalada, sobretudo pelos deputados socialistas, como sendo superior à grande maioria das ilhas. E relativamente ao que tem vindo a ser inscrito até é verdade. O problema reside depois nas taxas de execução, que nos últimos 8 anos tem um valor médio de 43%.
O PS costuma anunciar que os faialenses não se podem queixar porque estamos no grupo de ilhas com mais investimento, esquecem-se, no entanto, que muitos desses investimentos são por causa de estruturas que servem várias ilhas, como sejam o HH que serve Flores, Corvo, Faial, Pico e São Jorge (em muitas especialidades). Este tipo de investimento deveria ser diluído, ou pelo menos visto, como um investimento também em benefício dessas ilhas. Daí que para valores de investimento semelhantes seja fácil encontrar redes viárias melhores nessas ilhas do que no Faial. As verbas nessas ilhas são aí aplicadas, e no Faial vão para estas infraestruturas que pela sua complexidade requerem investimentos avultados.

TI – Qual é sua posição relativamente aos necessários investimentos estruturantes para a ilha, como sejam a ampliação da pista do aeroporto, a construção do novo Porto, da 2.ª Fase da EBI da Horta e do Estádio Mário Lino, as Termas do Varadouro, e a reabilitação das estradas regionais, nomeadamente a construção da 2.ª Fase da Variante?
RM – A posição do CDS ao longo dos anos não se tem alterado. Somos favoráveis a quase todos estes investimentos, se não mesmo todos, sendo que com ligeiras alterações.
O assunto da ampliação da pista do aeroporto estará para durar até o investimento acontecer. No entanto, os faialenses não poderão continuar a suportar os constrangimentos que temos verificado nos últimos anos, à exceção deste ano devido à pandemia. A própria sustentabilidade do turismo e dos empresários que investiram para proporcionar uma oferta de qualidade nesta ilha fica seriamente ameaçada sem fiabilidade nas ligações aéreas. Assim, a proposta do CDS é que no imediato a TAP (porque a SATA não tem essa capacidade) passe a operar para o Faial com os aviões a jato mais pequenos e possa dar uma oferta de duas ligações diárias ao Faial. Conse-guimos assim que no mesmo dia se consiga sair do Faial para a Europa ou vir da Europa para o Faial sem obrigatoriedade de pernoita em Lisboa ou outra qualquer ilha.
Relativamente ao Porto da Horta, o que é verdadeiramente emergente é a criação de um terrapleno onde se possa instalar um Travel-Lift para varar embarcações até 100 toneladas. Associado ao campo de futebol do Sporting da Horta e com um reboque, poderemos dotar a nossa ilha de capacidade de invernar 100 ou mais embarcações, o que se poderia traduzir em rendimentos diretos, entre taxas e mão de obra, na ordem dos 4 a 6 milhões de euros, por ano.
O malogrado Estádio Mário Lino, não faz neste momento qualquer sentido. Espero que um dia possa ser feita justiça a este ilustre faialense que viu o seu nome enxovalhado por esta governação socialista faialense. Há, no entanto, a necessidade de se criarem condições para a prática desportiva e para a realização de competições regionais, e por sua vez até nacionais ou internacionais. Consideramos que se deve avançar com um parque dos desportos, que idealmente pudesse incluir condições para a prática do futebol, mas também e sobretudo, para a prática de modalidades do atletismo.
A 2.ª fase da variante e a reabilitação da rede viária, estão intrinsecamente relacionadas. A passagem dos Bom-beiros Voluntários para Santa Bárbara, torna mais urgente uma solução que faça a variante à cidade. Considero que o Caminho Fundo possa ser uma solução que não compromete a zona residencial das Dutras e serve perfeitamente o propósito. A estrada do mato, por exemplo, para quem faz a ligação Cedros-Hospital também retira trânsito do ambiente urbano.
As termas do Varadouro, considero que passa pela concessão a privados, mas privilegiando uma unidade terapêutica associada à Unidade de Saúde, o que até validaria as características termais e terapêuticas do Varadouro.

TI – Em termos de atuação política, quais são as outras matérias que considera prioritárias e que pretende defender na Assembleia Legislativa nos próximos quatro anos em prol da ilha do Faial? O que defende em termos de transporte aéreo e de mercadorias?
RM – Considero prioritária a diversificação da produção agrícola local. A pandemia também deverá servir de alerta e consciencializar-nos da nossa dependência alimentar do exterior e da necessidade de invertermos essa balança comercial. Temos solos de excelência para a produção agrícola diversificada, e devemos apostar também na produção biológica, pela projeção dos Açores enquanto zona natural de excelência ou, já que mais não seja, pelo valor acrescentado que estes produtos configuram.
Outra prioridade que não deve ser esquecida prende-se com a solidariedade social. Fruto do trabalho que desenvolvi na ALRA na minha curtíssima passagem, soubemos que o Governo não vai investir num Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) na APADIF. Conseguimos em contrapartida que a Secretária da Solidariedade Social, Andreia Cardoso, se comprometesse com um projeto para o novo CAO da Santa Casa da Misericórdia até ao fim da Legislatura que agora termina. Uma promessa, entretanto, não cumprida. Assim, sendo eleito, garantirei que esse compromisso é cumprido.
Relativamente ao transporte aéreo, a já velhinha proposta do CDS da aquisição de um avião mini-cargueiro, continua a fazer todo o sentido. É a melhor forma de rentabilizar o espaço disponível para carga da Região para o exterior, uma vez que permite a circulação destes produtos das diversas ilhas e em tempo útil colocá-los noutros mercados, mas também, e não menos importante, a circulação de produtos regionais, maximizando assim o nosso mercado interno.
A ciência é investigação no Faial tem que ser estimulada e apoiada por forma a conseguirmos captar mais investigadores. Considero que é necessário canalizar os fundos para os centros de investigação existentes, ao invés de criar novas estruturas que absorvem fundos para cargos ao invés de canalizar o dinheiro para quem efetivamente faz ciência.

TI – Sabendo-se das restrições colocadas pelas autoridades de saúde, no âmbito da pandemia COVID-19, de que forma pretende combater a elevada abstenção registada nos últimos atos eleitorais? Como realizará a sua campanha eleitoral?
RM – Os faialenses, têm até agora, cumprido irrepreensivelmente as recomendações e considero que o ato eleitoral não configurará um problema para a comunidade. Não é comum grandes ajuntamentos nas mesas de voto e considero por isso que tudo poderá decorrer com normalidade, mantendo o uso da máscara, a etiqueta respiratória e a higienização das mãos. Neste momento julgo que estamos preparados para disponibilizar a todos os eleitores condições para que possam exercer o seu direito em segurança.
Esta campanha eleitoral, considero que demonstrará a importância da Comunicação Social para uma sociedade verdadeiramente democrática. Incrivelmente é o contrário do que o PS tem feito no Governo, maltratando a comunicação social privada e engrossando os gabinetes internos de propaganda.
A comunicação social privada é que poderá contribuir para o esclarecimento da população e mostrar o contraditório, ao contrário das redes sociais que apenas veiculam uma versão dos factos.
Utilizarei obviamente as redes sociais para dar a conhecer as minhas propostas, mas privilegiarei toda e qualquer iniciativa das rádios ou jornais para esclarecer o eleitorado, submetendo-me ao escrutínio e ao contraditório.

TI – Qual será a sua estratégia para manter e, eventualmente, reforçar o seu eleitorado?
RM – Seriedade e compromisso. As pessoas sabem que podem contar comigo para defender os interesses e os direitos dos faialenses na ALRA. Na minha curta passagem pela Assem-bleia, cumpri o meu compromisso de levar as principais medidas que apresentei ao plenário. Em apenas 1 semestre, trabalhei mais em termos de iniciativas que os dois deputados do Partido Socialista juntos em 8 semestres cada. Mesmo relativamente aos deputados do PSD, e em termos comparativos, não fiquei atrás de nenhum.
O CDS não é o partido do contra só porque sim. Ser oposição não é ser do contra, é construir soluções para os problemas dos faialenses. É levar os problemas e as preocupações dos faialenses a debate, na procura de respostas. Na procura de uma sociedade mais justa e que proporcione igualdade de oportunidades. É isso que me move, e é com isso que os faialenses podem contar.

TI – O que pretende dizer aos faialenses para que decidam votar em si e no partido que representa?
RM – Pretendo que os faialenses olhem para trás e para a história da nossa representatividade na ALRA. Pretendo que avaliem se 4 deputados a duas vozes é o que desejam, ou se querem ver a pluralidade do Faial representada. Quero que escolham o número um do CDS, e não um número dois do PS ou PSD. Passaríamos a ter 3 vozes em vez de duas.
Ao contrário dos cabeças de lista do PS e do PSD e mesmo dos outros partidos mais pequenos, nunca me escondi atrás de nenhum líder partidário. Foi assim há quatro anos e é assim que continuará a ser. Sou eu, Rui Martins, que dou a cara por uma equipa e por um projeto. É a mim que os faialenses podem e devem vir exigir trabalho e prestação de contas.
Esta eleição poderá marcar uma viragem na representatividade do Faial na ALRA. O futuro poderá começar agora. Não podemos esperar resultados diferentes fazendo exatamente a mesma coisa. Esta decisão está nas mãos dos faialenses. Espero que votem livremente e que escolham quem melhor os poderá representar.

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