Salão respira ar puro, ar muito puro

0
50
TI
TI

A freguesia do Salão está de parabéns. De acordo com o Relatório Mundial da Qualidade do Ar de 2019, criado pela plataforma de informações sobre a qualidade do ar ‘IQAir AirVisual, a freguesia do Salão ocupa a segunda posição no ranking das 15 regiões com o ar mais limpo da Europa.
É, sem dúvida, um feito que não está ao alcance de todos. Possuir o segundo ar mais limpo da Europa é um feito extraordinário que, certamente, terá que deixar orgulhosos os habitantes da freguesia, mas também os faialenses, que vêem nesta distinção o reconhecimento internacional de uma das mais importantes caraterísticas intrínsecas da freguesia, da ilha e dos Açores: a conservação da natureza no seu estado mais puro.
O trabalho mais difícil está feito. Na verdade, figurar no pódio deste relatório mundial só é possível para aqueles que procuram e criam estratégias de manutenção e defesa do meio ambiente, respeitando a natureza e combatendo eficazmente todas as formas de poluição.
Há, agora, que saber aproveitar os efeitos positivos deste prémio europeu.
O conhecimento e a divulgação, quer nacional, quer internacional, da atribuição de tão importante galardão a esta freguesia poderá funcionar, neste momento extremamente difícil para o setor do turismo, como uma relevante alavanca para cativar um “nicho” de mercado turístico ansioso de contactar, de interagir com a natureza, enfim, de respirar ar puro, um dos mais puros da Europa.
Não é que esse tipo de turismo – de natureza – não seja a imagem de marca dos Açores. É. Mas este reconhecimento vem realçar e reforçar ainda mais essa imagem, permitindo incutir no turista o desejo, a vontade e o interesse em querer visitar e quiçá, descansar uns dias neste local em concreto.
Mas a grande qualidade do ar desta freguesia da ilha do Faial poderá funcionar também como um incentivo, não só para a captação e fixação de pessoas, levando a uma deslocação de habitantes da cidade para a freguesia, mas também para atrair novos tipos de negócios, como seja, por exemplo, o negócio do ar puro engarrafado.
Se há algum tempo atrás houve quem começasse a vender em latas o “ar abençoado de Fátima” com enormes proveitos, ou o ar de Ibiza ou ainda o ar puro das montanhas rochosas do Canadá, certamente que a venda engarrafada do “2.º ar mais limpo da Europa” seria um enorme sucesso além-fronteiras.
Isto, obviamente, para além de funcionar como uma forma de promoção da Região no exterior.
Imagine-se a quantidade de potenciais consumidores que existem em muitas das cidades mais poluídas do mundo, como Pequim ou Nova Deli, que, confrontados com altos níveis de poluição atmosférica, desejam respirar um pouco de ar puro. Não admira, por isso, que hoje em dia os grandes consumidores, a nível mundial, do ar puro engarrafado sejam chineses.
Às entidades competentes exige-se, agora, que olhem com redobrada cautela para o lugar merecedor deste galardão, estipulando cada vez mais padrões de excelência que reflitam a manutenção e conservação da natureza, pois, como disse o Papa Francisco, “agora, todos devemos ser mais responsáveis em cuidar deste lugar comum [o planeta Terra] que é de todos”.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO