SATA. Governo contribui para a descredibilização da companhia aérea

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O deputado do PSD/Açores António Vasco Viveiros considerou hoje que a gestão do Governo Regional, enquanto acionista único da SATA, tem descredibilizado a empresa.

O social democrata lembrou a recente divulgação das contas de 2019 do Grupo SATA, “que juntaram mais 53 milhões às centenas de milhões de euros de prejuízos de anos anteriores, ou seja, em 2019 foram mais de 1 milhão de euros por semana”, sublinhou.

No fecho de contas do ano passado, a SATA Air Açores apresenta um passivo de 291 milhões de euros e a SATA Internacional de 297 milhões de euros: “A consolidação das contas do grupo SATA, ainda não disponíveis, deverão apontar para um passivo próximo dos 400 milhões de euros”, alerta o parlamentar.

“É a continuidade pela negativa, agravando novamente a situação do Grupo SATA”, disse António Vasco Viveiros, para quem aqueles resultados “desmentem as previsões do anterior Conselho de Administração e do Governo Regional, que estimavam a redução dos prejuízos para 50% dos ocorridos em 2018”, recorda.

“As contas de 2019 desmentem igualmente a existência de qualquer plano de restruturação consistente, como inúmeras vezes foi anunciado pela tutela” acrescenta.

“Uma vez mais, o Governo Regional fica sem qualquer credibilidade relativamente à SATA”, sendo que existe um dado novo com as contas de 2018, que foram alteradas retroativamente em resultado da correção de um erro”, frisou António Vasco Viveiros, na sessão plenária desta terça feira.

“Esse erro tem a ver com o oneroso contrato relativo ao Airbus A330, e implicou um aumento de custos 13 milhões de euros. Um contrato desastroso, que nunca foi devidamente esclarecido no Parlamento nem aos açorianos”, critica.

“Mas todos sabemos que a aeronave esteve parada em 2018 e 2019, enquanto se pagavam as rendas do contrato de leasing e, simultaneamente, a empresa recorria ao aluguer de aviões e tripulações, com custos elevadíssimos”, relembra o deputado.

António Vasco Viveiros lembrou assim um requerimento do PSD sobre o assunto, “apresentado em maio de 2019, e que não obteve qualquer resposta do Governo Regional, numa absoluta resistência em esclarecer os açorianos, com manifesta ausência de transparência e desrespeito pelo Parlamento”, afirma.

Na sua intervenção, o social democrata questionou assim a tutela sobre os custos gerados diretamente – de 2016 a 2019 – por aquele contrato de leasing, uma pergunta “que ficou sem resposta, uma vez mais”, revela.

O deputado do PSD/Açores também falou sobre “as reservas às contas do Grupo, apresentadas pela sua certificação legal, que têm valores muito substanciais, revelando que a situação pode ser ainda mais grave”, reforça.

“Na SATA Air Açores o total das reservas é de 196 milhões de euros, enquanto na SATA Internacional ascendem a 65 milhões de euros”, concretizou.

Ainda segundo o deputado do PSD/Açores, a Região “deve aproveitar as soluções de exceção aceites pela União Europeia para reestruturar a SATA, sendo que o Governo da República já chegou a acordo com as instâncias europeias para conceder uma ajuda de emergência à TAP”, concluiu.

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