Saúde Mental na Região: Que Roteiro?

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Organização do VII Roteiro de Saúde Mental da RAA questiona o paradigma actual

Vivenciar um problema de saúde mental é um desafio diário na superação de consequências emocionais, sociais e funcionais. A tarefa não é menor para os familiares que procuram a todo o custo aliviar o sofrimento dos seus entes queridos privando-se muitas vezes do seu próprio bem-estar físico, psicológico e financeiro. Os profissionais de saúde, por seu turno, debatem-se com a responsabilidade da intervenção, cujo o sucesso, por vezes, fica aquém das suas expectativas.
Que serviços de saúde mental existem na RAA? Qual o papel dos profissionais, dos doentes e das suas famílias no processo de recuperação? Como combater o estigma e promover a detecção precoce dos sintomas? Que desafios para o futuro da saúde mental nos Açores? Estas e outras questões foram o mote da reflexão sobre o VII Roteiro de Saúde Mental da Região Autónoma dos Açores, que decorreu no Dia Mundial da Saúde Mental.
Apesar do Decreto Legislativo Regional n.º 26/2016/A ter estabelecido os princípios orientadores da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental (RRCCISM) poucas foram as medidas implementadas.
A criação de uma RRCCISM deverá assentar num modelo holístico que promova a articulação e a comunicação entre os vários intervenientes e os serviços existentes ou a criar. A este respeito, o psiquiatra Ortiz Lobo destacou que as evidências científicas indicam que o modelo mais humano e eficaz é o assente numa abordagem comunitária, mais próxima das pessoas.
Este novo modelo muda radicalmente a forma de perceber a patologia mental e a forma de intervir nesta área.
O conceito de “doença mental” assente numa causa cerebral e num tratamento farmacológico, é ultrapassado

por uma visão mais abrangente. Nela inclui-se a cultura, a biografia do sujeito, os seus valores e significados, questões éticas na complexidade da experiência humana. O doente deixa de ser um objecto passivo de observação e de tratamento psicológico/psiquiátrico e é visto como perito em si, um sujeito contextualizado com qualidades e forças que acrescentam complexidade e riqueza à visão biomédica: sintomas-diagnóstico-tratamento.

Do estudo realizado por Joana Cabral, incidindo sobre familiares de pessoas com perturbações psicológicas na RAA, verifica-se que 87% dos inquiridos refere nunca ter recebido qualquer tipo de suporte no seu papel de cuidador. Como alternativa propõem: formação aos familiares; a melhoria da relação dos profissionais de saúde com a família; a articulação entre os diversos profissionais e a divulgação das fontes de suporte existentes. Para prevenir crises agudas e melhorar a qualidade de vida dos doentes, os familiares indicam o acesso regular a consultas de psiquiatria/psicologia de proximidade; a articulação entre profissionais e a implementação de medidas para a ocupação e integração laboral das pessoas com sofrimento psíquico crónico.
Em complementaridade aos cuidados de saúde primários, urge a criação de um Centro de Saúde Mental Comunitário composto por uma equipa multidisciplinar, que tenha como funções aconselhar, sinalizar, triar, avaliar, intervir, encaminhar e articular com os recursos da comunidade, com o hospital e com as Casas de Saúde, em resposta a cada caso. O protagonismo deverá ser dado à pessoa doente e aos seus familiares através de um acompanhamento próximo e adequado às suas necessidades. O doente deverá participar no plano de intervenção/projeto de vida estipulado, consentir o tratamento e intervir nas tomadas de decisão.
Este novo paradigma exige o reforço de verbas destinadas à área da saúde mental e um modelo intersectorial de planeamento e gestão que articule os vários sectores: saúde, social, emprego, educação, habitação… Para quando as respostas? 

A propósito do Dia Internacional da Pessoa Idosa

No ano, em que se assinala 70 anos de adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos, as Nações Unidas escolheram o tema “Celebrating Older Human Rights Champions” para o Dia Internacional da Pessoa Idosa. Pretenderam desta forma homenagear as pessoas idosas de todo o mundo que dedicaram/dedicam as suas vidas à defesa dos direitos humanos.
Para Portugal e para os portugueses o tema escolhido poderá parecer longínquo da realidade social, cultural ou política existente. No entanto, se olharmos para a história recente, constatamos que aos idosos, que viveram parte da sua vida num regime ditatorial, muito devemos deste legado que é o Portugal de hoje democrático e livre.
Será que reconhecemos o seu enorme contributo para a sociedade atual? Ou, de forma intencional ou negligente, os reduzimos a inúmeras formas de isolamento?
Num país em que dois milhões de portugueses são idosos, dos quais um quinto tem mais de 65 anos, e em que muitos vivem sozinhos ou sofrem de solidão, estão doentes e/ou dependentes e recebem baixas pensões, será que estamos a salvaguardar os seus direitos e a sua dignidade humana?
Enquanto psicólogos acreditamos ser parte da solução para esta realidade. 

 

Eventos/iniciativas – Tomada de Posse NEPSIC

A DRA participou na cerimónia de tomada de posse do Núcleo de Estudantes de Psicologia (NEPSIC) da Universidade dos Açores. A Presidente da DRA valorizou o convite, como um indicador do trabalho de aproximação entre a OPP e os estudantes de Psicologia e divulgou as várias iniciativas da OPP destinadas aos Estudantes: Academia OPP, Summer Camp e Prémio OPP Inovação em Intervenção Psicológica, incentivando a colaboração entre a DRA e o NEPSIC. 

Aconteceu – Atividades da DRA

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental, a 9 e 10 de outubro decorreu o VII Seminário da Saúde Mental, em Ponta Delgada. A iniciativa, que procurou promover um momento de reflexão sobre a Saúde Mental à luz de várias perspetivas, contou com a participação da DRA, do Centro Paroquial e Bem Estar de São José, do Hospital Divino Espírito Santo, da Associação ANCORAR, da Cresaçor e do Serviço Diocesano da Pastoral Social de Angra.
A DRA também marcou presença nas Jornadas Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho (HSST) – Açores 2018. O evento, que decorreu nos dias 18 e 19, no Teatro Ribeiragrandense, contou com o contributo da presidente da DRA, Maria Luz Melo, que explanou o papel da Ordem na HSST, e do vogal Francisco Faria, que abordou os Riscos Psicossociais. 

Acontecerá – Desafios…

O Programa “valorizar.me” continua a evoluir com a disponibilização de cursos b-learning, agora em temas avançados. As sessões presenciais decorrem na Terceira e em São Miguel.
Não obstante, o Programa oferece ainda um novo formato de formação, de curta duração, totalmente em e-learning e com um valor reduzido, 20€/ curso.
A renovada plataforma e oferta formativa é destinada a todos os nossos membros efetivos que procuram formações de elevada qualidade numa área específica, a um preço acessível, organizada pela sua Ordem e da autoria de psicólogos de referência.
A formação OPP aposta na qualidade, proximidade, resposta às necessidades, acessibilidade e estabelecimento de laços mais fortes com os membros e com o seu compromisso de desenvolvimento profissional, reduzindo desigualdades no acesso às oportunidades de valorização profissional. 

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