Se Deus quiser

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No dia 27 de outubro de 2014, em Lisboa, despedi-me do meu padrinho Alberto, com aquele que acabou por ser o nosso último abraço. Como sempre, e apesar de acusar o cansaço da luta contra a doença, disse-me que na semana seguinte viria para o Faial e despedimo-nos… “Obrigado pela vossa visita. Gostei de vos ver. Até daqui a uns dias se Deus quiser.” 

Deus tinha outro plano. Um plano que os meus olhos humanos, toldados pelas lágrimas da saudade, têm dificuldade em perceber.

Mas o padrinho Alberto, desde que me conheço, sempre aceitou os planos de Deus. Aliás, o seu testemunho de homem de fé é cativante.

A vida é sempre curta mas a passagem do meu padrinho foi cheia. Cheia de sentido, cheia de propósitos que ele traçou e cumpriu. Para o bem dos seus, do nosso Faial e dos Açores, não só pelos cargos que desempenhou mas também pela dedicação, pelo sacrifício, pelo amor que depositava nas suas tarefas.

Pela mão dos meus pais que o escolheram a ele e à mulher para meus padrinhos, cresci habituada à sua simpática presença e exemplo. Ao recordar alguns momentos, ouço a sua gargalhada sincera e sonora e a forma carinhosa com que constantemente me tratava, chamando-me sempre pelo meu nome de baptismo, como bom padrinho que era.

Era também um conversador inveterado, prendendo, sem qualquer esforço, a nossa atenção enquanto o ouvíamos contar as suas histórias, a defender as suas ideias ou, mesmo nos últimos anos, o seu desencanto por ver o seu Faial ficar mais pequeno do que é…

Ao mesmo tempo era também um bom ouvinte, cujos conselhos eram de facto sábios porque acima de tudo era um homem pacífico, respeitador, despretensioso e justo. 

Sobretudo, julgo, era um homem feliz. Felicidade que transparecia ainda mais quando rodeado pela sua família que tanto amava!

Além disso, era um homem de (grandes) pormenores. Com gestos simples mas cheios de significado e muitas vezes sem quaisquer palavras, via-o lembrar-se do aniversário de um amigo já falecido, o cuidado de oferecer “aquele” livro a um certo amigo, o cuidado de se lembrar da data de baptismo do meu filho…enfim, datas importantes na vida dos seus amigos. 

Mesmo doente, nunca se deixou abater, continuando, como sempre, disponível para abraçar mais um desafio, mais uma causa nobre, sempre no cumprimento de um dever cívico e moral fiel aos seus princípios. 

S. Josemaria, Santo que o meu padrinho admirava, disse: “Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto”. 

Assim o fez e por isso, a presença física do meu padrinho deixou-nos no passado dia 14 de Novembro, mas a sua essência e o seu exemplo jamais.

O meu pequeníssimo contributo para esta homenagem, nunca fará justiça ao grande homem que foi Alberto Romão Madruga da Costa e as palavras não chegam para a medida da saudade que sinto de um grande Amigo, do meu padrinho.

 

Horta, 01 de Dezembro de 2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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