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Falta de respeito por 60%!

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Dados recentes revelam que a transportadora aérea regional transporta 40% dos passageiros entre os Açores e Lisboa e, consequentemente, a transportadora aérea nacional tem uma fatia de mercado de 60%, tendo um responsável da empresa regional dito que a sua companhia estava preparada para ocupar o espaço da transportadora nacional, caso fosse necessário.

Sucinta e objetivamente, como deverão os faialenses interpretar, política e economicamente, tais números e tal afirmação, tendo em conta o facto da cidade de Lisboa continuar a ser a principal referência para as nossas famílias e empresas?

Duma perspetiva política nua e crua, verifica-se que a região é pobre mas possui uma transportadora aérea e, apesar da necessidade de todos nós nos deslocarmos por essa via, a empresa regional não é líder de mercado, isto é, opera na região outra companhia que transporta mais passageiros. Assim sendo, a primeira conclusão a retirar é que há trabalho a fazer e que algo falhou.

E é grave que algo tenha falhado, pois é sinónimo de que a transportadora aérea regional focalizou a sua operação com base numa ilha e em rotas internacionais, como se as restantes ilhas dos Açores fossem desertas, virando as costas à maioria do mercado, que é das outras ilhas.

Pouco importam as desculpas estratégicas, que era necessário abrir mercados estrangeiros, partilhar o mercado aéreo com a transportadora nacional, que se ia ganhar com a rota mais central e populosa, mesmo tendo resultados de exploração não muito negativos, num panorama de dificuldades relativas à viabilidade deste setor.

Na verdade, o que quer dizer só ter 40% do mercado? Significa que se centrou a política de transporte em S. Miguel, pondo-se em prática uma plataforma logística da política aérea e cujos resultados estão à vista: um rotundo fracasso a nível regional de políticas de centralidade.

Mesmo agregado com campanhas promocionais concentradas de agências de turismo e grandemente comparticipadas por todos nós com muitos milhões de euros anuais, o resultado é minoritário na quota de mercado – pior era difícil. Para além de ser uma bofetada para a maioria das ilhas com portas de ligação com Lisboa e para a maioria dos açorianos, que não vivem em S. Miguel.

Com este indicador, há que mudar de política, que defendeu este modelo centralizador que tem castrado o desenvolvimento de outras ilhas e que deixa de fora muitos Açorianos, mas também de política de transportes, apostando em diversos destinos com potencialidade, na qual o Faial constitui uma gateway a desenvolver.

Assim, analiso as afirmações do responsável da companhia aérea açoriana não como uma fatalidade, mas sim como uma obrigação. 

E a obrigação é de respeito pelos 60%, nos quais o Faial tem uma comparticipação importante, e não só pelo fracasso da centralização e esvaziamento das outras ilhas, que viram muitas oportunidades serem canalizadas para a rota onde operava a companhia aérea regional, tendo como consequência a diminuição de dezenas de milhares de dormidas na ilha do Faial por ano.

E o respeito não termina aqui, tem de ir mais longe, tem de respeitar o facto, por exemplo, da administração do aeroporto da Horta não ser da competência do Governo Regional, e não podemos ser penalizados por esse motivo – somos açorianos independentemente do aeroporto da Horta ser da ANA.

Mas os Faialenses também devem dar-se ao respeito e, caso a transportadora aérea nacional deixe de operar na Horta, não devem deixar-se ir em desculpas da transportadora aérea regional para diminuir a sua operação neste aeroporto, como alegar que há falências no setor aéreo, que os combustíveis estão a aumentar, o custo por passageiro na Horta ou que a pista do aeroporto tem penalizações, e baixarem a cabeça…

Em resumo, caso venha a verificar-se uma alteração de operação de Lisboa com a Horta, passando a realizar-se apenas pela transportadora aérea regional, há razões – infelizmente – para recearmos que determinadas qualidades que a transportadora aérea nacional nos tem proporcionado deixem de existir. E os Faialenses devem continuar a trabalhar para a assegurar a viabilidade da rota com Lisboa e para que nos respeitem.

 

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