“Sem esta medida tenho a certeza que a Caldeira do Faial estaria mais estragada”

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Desde 1972 que a Caldeira do Faial é considerada como uma reserva Natural Protegida. Integrada na Rede Natura 2000 está também classificada como Zona de Protecção de Aves Selvagens e como sítio Ramsar, zona húmida de importância internacional pelo que a sua conservação torna-se cada vez mais necessária e importante.

No sentido de manter a sua preservação, o acesso ao seu interior foi regulamentado e hoje em dia as visitas ao fundo da Caldeira só são permitidas quando acompanhadas por um Guia credenciado e a grupos com 12 pessoas no máximo por dia.

A celebrar os 50 anos desta classificação o Tribuna das Ilhas, falou precisamente com um Guia certificado Luís Bicudo proprietário da Our Island Lda, uma agência de viagens e de tours que aposta num turismo responsável.

À nossa reportagem o empresário considerou que as medidas de acesso ao fundo da Caldeira acompanhadas por um guia garantem “a qualidade da visita” ao mesmo tempo que promovem a “educação ambiental” ajudando ainda os visitantes a “cumprir e a compreender as regras e formas de estar numa reserva importante como a Caldeira”.

Apesar de concordar com as regras existentes, o Guia deixa algumas críticas à legislação. Para o empresário algumas regras são “desfasadas da realidade do trilho”, nomeadamente o tempo de permanência na reserva de 3 horas, quando o tempo médio das descidas são de cerca de 4 horas e meia, considerando que “3 horas é insuficiente” para a maior parte das pessoas, no contexto dos tours privados que recebe.

Tribuna das Ilhas – Considera que as regras de acesso ao fundo da Caldeira são eficazes para preservar esta reserva natural?
Luís Bicudo – A regra mais eficaz na preservação desta importante reserva é a obrigatoriedade das visitas serem acompanhadas por guia certificado. Isso garante não só a qualidade da visita mas também uma certa forma de educação ambiental durante a experiência, que ajuda a maior parte dos visitantes a cumprir e a compreender as regras e formas de estar numa reserva importante como a Caldeira. Coisas simples como não sair do trilho, não deixar qualquer tipo de resíduos na reserva, e evitar gritos ou outras formas de ruído, são muito importantes na preservação ambiental mas também no respeito às outras pessoas que poderão estar no trilho da descida, do perímetro, ou simplesmente a observar a Caldeira desde o miradouro. No entanto algumas regras são desfasadas da realidade do trilho, o tempo de permanência máximo na reserva definido na portaria é de 3 horas, no entanto o tempo médio das nossas descidas (Our Island Lda.) é de cerca de 4 horas e meia. Ou seja, o intervalo de tempo de 3 horas é insuficiente para a maior parte das pessoas, no contexto dos nossos tours privados. Também o número máximo de pessoas por guia (15) é demasiado alto. Na nossa empresa não efetuamos descidas com mais de 8 pessoas por guia, porque o trilho é demasiado estreito, íngreme, e sinuoso, sendo que o guia não consegue observar ou mesmo falar com as pessoas que se encontram para lá da sexta ou sétima posição da fila. Também acho que seria muito importante definir uma idade mínima para crianças, nós consideramos que é um risco muito grande levar crianças pequenas e por norma aconselhamos esta atividade a maiores de 12 anos.

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