SITACEHT/Açores: “O aumento brutal do custo de vida terá graves consequências sociais nos Açores”

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Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo dos Açores

O Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comercio e Escritórios, Hotelaria
e Turismo dos Açores (SITACEHT/Açores) está preocupado com a situação social e
económica, nos Açores, nomeadamente com a situação das famílias, especialmente para as
socialmente mais desfavorecidas, com graves situações de pobreza e de exclusão social.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), vem ainda aumentar mais a nossa preocupação. Tendo por base a informação já apurada, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) terá aumentado para 5,3% em março (4,2% em
fevereiro). Trata-se do valor mais elevado desde junho de 1994.

Já o indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não
transformados e energéticos) registou uma variação de 3,8% (3,2% no mês anterior),
mostrando que estes componentes influenciaram o valor total.

Foi nos preços da energia que se notou mais esta tendência, já que se estima que a taxa de variação homóloga do índice relativo aos produtos energéticos se situe em 19,8% (15% no mês precedente), valor mais elevado desde fevereiro de 1991. Os preços neste setor já vinham a aumentar na saída da pandemia, um caminho que se acentuou com o conflito na Ucrânia.

Quanto ao índice referente aos produtos alimentares não transformados, o crescimento
também acelerou de 3,7% para 5,9%. Para o Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comercio e Escritórios, Hotelaria e Turismo dos Açores, as consequências destes aumentos terão repercussões mais graves nos Açores, não só pela nossa situação insular, pelas debilidades da economia, mas sobretudo pela grave situação social, caracterizada pela pobreza e exclusão social.

E esta situação, tende a agravar-se com a contenção salarial generalizada e as reduções
salariais, com a subsequente redução do rendimento disponível, que têm um efeito ainda mais profundo, considerando a grande disparidade entre os rendimentos dos trabalhadores
açorianos e os de outras regiões do País. Cresce a desigualdade de que são vítimas os
trabalhadores dos Açores, que têm de suportar também um custo de vida agravado pela
insularidade e agora por esta onda brutal de aumentos, com rendimentos reduzidos, o que
aumenta a disparidade remuneratória, com prejuízo da coesão social nacional.

A melhoria dos rendimentos dos trabalhadores e das famílias açorianas estimula o consumo, o que contribui para o aumento da produção e das vendas das empresas, a criação de mais emprego e o crescimento da economia. Ao mesmo tempo, este aumento tem também efeitos positivos no crescimento das contribuições para a segurança social, ajudando a melhorar a sustentabilidade financeira do sistema.

Neste sentido, não podemos ignorar a importância do acréscimo regional ao salário mínimo
nacional, no combate à pobreza, designadamente a pobreza laboral. No atual quadro, em que o mercado de trabalho regional assenta essencialmente em trabalho precário e num modelo de baixos salários, ter um emprego deixou de ser suficiente para afastar a pobreza.

Para o Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comercio e Escritórios,
Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT/Açores) não faz sentido falar de crescimento
económico sem que esse crescimento se traduza numa justa e equilibrada distribuição da
riqueza gerada, como não faz qualquer sentido falar de emprego apenas para fins estatísticos, mas com vínculos precários e sem direitos. Não é essa a economia que defendemos, não é esse seguramente o crescimento económico a que os açorianos aspiram e têm direito.