Situação económica, financeira e social dos Açores em debate na ALRAA

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O debate sobre a situação económica, financeira e social dos Açores marcou grande parte do plenário da passada quinta-feira.

Artur Lima, deputado do CDS-PP começou por enunciar os fatores da crise que atualmente se vive na Região, destacando o aumento das falências, das insolvências, do desemprego, dos beneficiários do RSI e o encerramento de hotéis. O deputado do CDS-PP acusou o executivo regional de ter responsabilidade na crise, afirmando que o governo “não fez tudo para preparar os açorianos para a crise”.

O vice-presidente do executivo regional começou a sua intervenção afirmando que “o governo pode fazer mais e melhor”, mas é necessário que todos contribuem com medidas para ultrapassar a crise, acusando Artur Lima de “ só pôr os Açores para baixo”.

Para Francisco César há uma grande diferença entre um governo do PS e um governo PSD e CDS, destacando que o executivo açoriano “revelou atributos essenciais na crise e no combate ao desemprego” exemplificando com a Agenda Açoriana Para a Criação de Emprego. O deputado socialista destacou que o governo da república “anda obcecado pela austeridade”, afirmando-se como uma porta-voz da Troika e não como um porta-voz do povo perante a Troika.

Em resposta a Francisco César, Aníbal Pires disse que “a região não tem contrariado as medidas da república”, o que tem levado a “um empobrecimento do país”. Para este deputado uma das soluções passa por aumentar os rendimentos das famílias, todavia “o PS não quer utilizar os mecanismos que tem ao seu dispor”, realçou. Zoraida Soares mostrou-se da mesma opinião, afirmando que “o Governo Regional está agarrado à Troika e às suas políticas”.

Setor da Construção e do Turismo em debate

Para o deputado António Marinho o setor da construção e do turismo são “os responsáveis pela situação atual açoriana”. O social-democrata criticou a Agenda Açoriana para a Criação de Emprego em relação à falta de medidas nesta agenda em relação ao setor do turismo.

De acordo com os dados apresentados por António Marinho, em 2006 havia um total de 2075 obras licenciadas, enquanto em 2012 só existiam 626. No que diz respeito ao setor do turismo, em 2006 as receitas alcançaram os 56 milhões de euros, já em 2012 houve uma quebra de 13 milhões de euros. O deputado do PSD salientou, ainda, o facto de até ao momento existirem oito hotéis encerrados na Região.

Em resposta, Sérgio Ávila afirmou que o problema do turismo é mais abrangente, realçando que “houve uma retração no setor turístico não só nos Açores mas em toda a Europa”.

Situação da Lactopico

A situação da empresa Lactopico marcou o debate do fim da manhã e princípio da tarde dos trabalhos do plenário.

Cláudio Lopes, deputado do PSD questionou o executivo açoriano em relação ao futuro desta empresa. Vasco Cordeiro respondeu a Cláudio Lopes, afirmando que desde novembro passado tem existido reuniões entre a direção da Lactopico e a Secretaria Regional dos Recursos Naturais, com o objetivo de arranjar soluções.

O presidente do Governo Regional frisou que “o Governo mantém interesse em salvar a lactopico”, realçando que não vai “injetar dinheiro diretamente na Lactopico”.

Artur Lima encerrou este debate afirmando que existe “uma conivência entre o Governo da República e o Governo Regional, para esconder as contas públicas dos Açores e para não mostrar mais uma região falida”.


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