Só dói o coração, ao dono do furão!

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Este é um ditado antigo que espelha bem o egoísmo de alguns que, por não serem afectados por determinado mal, estão-se marimbando para o que possa acontecer aos seus patrícios, colegas ou companheiros.

Infelizmente, há muito boa gente, dita de esquerda, também conhecidos por “boys and girls”, que não se preocupa com as dificuldades do próximo, desde que tenha a sua pança bem cheia…

Estou farto daqueles que pouco ou nada fazem, que não se importam com o Faial, que vivem à custa dos Faialenses, e que, ainda por cima, contribuem para o nosso mal, tapando o sol com a peneira.

Efectivamente, esses são os verdadeiros culpados da nossa desgraça, que pela sua conduta a soldo, são transformados de mercenários em “heróis regionais”, cuja tarefa é, e só, fazer calar e controlar os Faiais.

Vejamos alguns “gatos escondidos, com o rabo de fora”:

 

AR

O arquipélago ainda tem um bom ar, respirável, e ainda se pode apanhar sol em segurança, desde que se fuja ás horas de maior incidência solar, que atravessam facilmente os buracos da desgastada camada de ozono.

Curiosamente, quando chego à praia, pelas 15 / 16H, cruzo-me com um elevado número de médicos e enfermeiros que estão de saída… Será caso para dizer, “Faz o que eu digo, e não o que eu faço!”

Apesar de termos ar puro e sol, não estaremos descansados nas praias e piscinas, se formos permanentemente incomodados por… escaravelhos. Desorientados e esfomeados, não olham a quem nem onde, e mergulham a pique, e ai… se descobrem o acolhedor buraco de algum ouvido mais distraído… É que, não só não saem, como penetram.

Claro que, se estivermos sulfatados, estaremos protegidos!

 

MAR

As águas das zonas balneares dos Açores apresentam “Boa” qualidade, pelo que estão em condições de serem utilizadas pelos banhistas… É bom, mas lacónico, e muito pouco para uma Região que se quer afirmar no Turismo como Destino Natureza.

Mas será que basta termos água “boa” para tomarmos banho? Não, porque a “boa” qualidade microbiológica da água nada tem a ver com a proliferação de “águas vivas” que, essas sim, impedem que nos refresquemos quando o calor aperta.

Claro que nada disto importa, para aqueles que se refrescam em piscinas privadas.

 

PESCA

A nossa pesca sofre de alguns constrangimentos graves, que impedem os que dela vivem, de auferir um rendimento justo, correspondente ao investimento que fazem na sua actividade: a sobreexploração dos stocks, a invasão da frota estrangeira, as margens de comercialização dos exportadores e a indisponibilidade de carga aérea.

Estes problemas só importam aos que vão para o mar, que arriscam a vida, e que, dia a dia, se vão apercebendo da diminuição dos stocks, das menores capturas e do consequente menor rendimento que todos os dias levam para casa na algibeira.

Claro que nada disto interessa àqueles que, independentemente do seu esforço, recebem um ordenado fixo e seguro todos os meses.

 

RESÍDUOS

O lixo e as lixeiras vão desaparecendo e dando lugar ao negócio dos resíduos, que cada vez mais são objecto de separação e exportação, salvo os que terminam na “lixeira controlada” da Fajã.

Os maus hábitos levam gerações a corrigir, e a Educação Ambiental demora em colher os seus frutos.

E se as lixeiras desapareceram, os ratos precisam de comer, procurando as culturas dos agricultores que estão mais à mão…, pelo que a única forma de não termos ratos no quintal (para quem os tem, claro) é deixá-los incultos, pois senão serão autênticos oásis para os roedores.

Mais uma vez, nada disto interessa a quem compra barato no Hiper, a salsa, os nabos e as cenouras importadas, contribuindo para a saída de dinheiro da ilha.

Também nada dizem aos que só procuram a Fajã por altura das campanhas eleitorais.

 

CONSTRUÇÃO

A preservação do património edificado e urbano é um objectivo de qualquer cidadão ou governo que preze a cultura.

Contudo, a evolução dos tempos não permite que continuemos na era do telex ou da máquina de escrever…, como não permite que, comodamente à secretaria, se continue a exigir materiais que estão ultrapassados, quer pela sua curta vida útil, quer pelos seus insuportáveis custos de manutenção.

Assim, não se compreende que se continuem a exigir coberturas, vãos e revestimentos em madeira, quando todos sabemos que o Governo Regional e as Câmaras ainda não conseguiram travar o avanço das térmitas…

Claro que nada disto importa para quem vive em apartamentos pagos pelo Governo, e que estão sempre impecáveis, quando vêm à ilha para despachar!

 

ENFIM!…

Apregoar aos quatro ventos, como faziam antigamente os Arautos e os Capitães Donatários de Suas Majestades, que vivemos numa ilha com qualidade, poderá significar, a prazo, que essa sustentabilidade em vez de reverter directamente para os seus habitantes, será a condição necessária e suficiente para que todas estas pragas e infortúnios grassem pela ilha que já nem será nossa.

Essa qualidade só terá valor, e será reconhecida por todos nós, se reverter a nosso favor, se a pudermos usufruir.

E esse objectivo só se poderá alcançar, se as politicas do Governo e das Câmaras se alterarem profundamente.

É preciso passar da contemplação e da exigência administrativa, para a acção, metendo a “mão na massa” e reconhecendo que estas pragas comprometem o bem estar das populações, e acima de tudo, comprometem o desempenho económico daqueles que se dedicam à terra, à agricultura, à construção, às pescas…, e a todos aqueles que contribuem directamente para o nosso PIB.

Sim, porque isso de dizer que se fartam de trabalhar, exigindo e legislando… o melhor é dizerem o que produzem… quantificar nos pratos da balança o que “trocam por dinheiro”, o que dão a esta ilha do Faial, e não o que dela metem ao bolso ao fim do mês, ou o que dela cobram para o bolo regional.

A Europa, Portugal, os Açores e o Faial já não suportam mais “boys and girls” que, com as mais pomposas profissões, de assessores a relações públicas, de chefes a sub-chefes, de fiscais a inspectores, de secretários a ajudantes de campo que só sugam e que, espremidos, nem sumo têm.

 

O Faial não suporta mais as pragas animais e as humanas, que nos invadem e contribuem para a nossa falta de pujança e de riqueza económica.

É demais!

E quem assim não sente, é porque não tem coração, e nunca foi dono de um furão.

 

Contributos, para

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