SALA DE ESPERA…

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Sala de espera é sempre algo que tem o condão de nos tramar a vida, mas sendo à espera duma consulta médica é o fim da macacada.
E o que é uma sala de espera? É um espaço onde se encontram os esperantes. E muitos deles atingindo os limites viram desesperantes. Sei que o leitor está farto de saber isto que é tão básico quanto a treta dos ficantes. Aqueles que ficam. Nós, portugueses, por exemplo, hoje somos uns ilustres ficantes. Para não imitarmos aqueles petulantes ingleses, ficamos na U.E. E daí sermos os ficantes ou seja os insigne ficantes. Ou os insignificantes. Como der mais jeito.
Bem, nas salas de espera das consultas médicas, encontram- se sempre pacientes que lá se vão plantar com a intenção de pôr em franja os nervos dos outros. São eles os inventores de doenças. Aqueles que tem o monopólio de todas elas. Sempre entrando e saindo duma. E ai de quem tente contrariar. Por vezes parecem suplicar, silentes, a compaixão dos demais. E recusam ser hipocondríacos.
Os inventores de doenças atiram ao ar infecções psicológicas, entrando e saindo delas. Infectam o espaço com os medicamentos que conhecem por ordem alfabética. Falam d´ervas, chàzinhos milagrosos. Guardam em casa remédios quais relíquias, fora e dentro do prazo. E tentam impingir aos outros.
São pessoas que adoram frequentar cemitérios. Falam de ambulâncias, bombeiros, muletas, cadeiras de rodas, operações. Bactérias e vírus. Falam mal dos médicos que os consideraram saudáveis, chamando-lhes incompetentes. E tratam-nos por tu. É o José, o Manuel, o João! Como se a cartilha tivesse sido a mesma. Falam das cirurgias a que se submeteram e meticulosamente guardam em frascos os espólios, descrevendo o peso, o tamanho, o nojo!
Fazem dietas sórdidas, género bife passado a ferro com alface cunícula, para fugir ao enfarte. Farejam vírus e bactérias. Amam fazer check –up para prevenir. O inventor de doenças é uma bosta! Um maluco daqueles!
E, assim sendo, naquela sala de espera, nossa angústia nasce. E vai crescendo. É que eles conseguem converter-nos às suas loucuras e nós, os outros que na hora de entrar carregávamos esperança, confiança, contaminados, já nem os ouvimos. Começamos a ter sinais de loucura. As dores físicas são esquecidas porque as outras, aquelas que eles nos enfiaram nos neurónios são uma carrada de trabalhos. E, contaminados, beirando a loucura, fazendo um exame de consciência, resta um pouco de bom senso para pensarmos: se eles são hipocondríacos, como seremos nós classificados neste momento?
Aquele pessoal tem ideias contagiosas. Quando menos esperamos as doenças deles infiltraram- se todas em nós e, chegada a hora da consulta, entramos abananados no consultório do médico sem saber o que dizer. Na nossa cabeça há uma baralhação de doenças estranhas, frascos esquisitos guardando relíquias não identificadas de pedaços de alguém que parece sentir saudades daquela porcaria de órgão que lhe infernizou a vida… São gostos!
Leitor, afirmo, não estou louca! Ainda!

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