Era uma vez

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… um garoto que era muito teimoso. Tão teimoso, mas tão teimoso, que se não incomodava de espezinhar quem quer que fosse para atingir os seus fins, para fazer prevalecer a sua vontade. Os seus quereres nem sempre eram os melhores, mas, embora ele o reconhecesse, seguia em frente, barafustando, batendo o pé e vociferando, até tudo ser resolvido a seu favor.
É evidente que os pais terão sofrido muito com isso, na medida em que não o conseguiram subordinar. É possível que tudo fosse o resultado de defeitos de educação, traumas, fixações, fatores endógenos.
Desta maneira o Toninho “seu nome” foi crescendo e a par disso foi ficando mais teimoso e meio desequilibrado na busca de novos brinquedos. Coisas estranhas. Deu em andar pelas ruas buscando cacos velhos, inúteis, mas que para ele representavam o máximo.
Toninho cresceu. Fez- se homem. A sua voz tornou-se irritante. Sempre que falava, dava a impressão que comandava um navio de piratas. Era o Toninho feito Tonão. Estranho, a mania dos cacos perdurou naquela cabeça louca. Sendo assim continuou na busca de cacos e cacarecos sem valor algum, mas que para ele tinham um sentido. O poder. E porquê? Porque naquela cabeça desmiolada do Tonão havia uma ideia fixa, uma certeza: um dia ele seria o maior palhaço dum circo imaginário, onde ele atuaria para gáudio dum público simples que aplaudiria o palhacito feito de cacos e cacarecos sem valor mas muito coloridos, todos diferentes, emitindo palavrões e ofensas para a esquerda e para a direita.
E, chegado o dia em que alguém gritou” o palhaço vai nu” foi o fim da macacada. Afastou-se, despiu os trapos velhos por breve tempo, colocou um riso amarelo no rosto amarelo que Deus lhe deu e na companhia dum compincha, feito amigo, amigo do peito, amigo de ferro, o mais lindo amigo de todos, reuniram-se arquitetando novas tropelias.
Como calculam eram dois adultos praticamente estranhos. E como tal procuraram ocultar o Mister Hyde atràs do simpático dr Jekill.
Entretanto os cacos e cacarecos chatearam-se por aqueles momentos de desprezo e começaram um bate boca pouco ético. Mas também quem esperava melhor saído daquelas coisas? Tonão teve de aguentar o mau feitio deles, porque a coisa estava feita e já não havia como desfazê-la. Havia se grudado, faziam parte uns dos outros. Carraças em pelo de cão!
E, para quem vem assistindo às tonecadas que para aí aparecem e mais virão, possìvelmente com mais força, será um belo teatro! Infelizmente eles terão o prazer de desventrar a unhadas quem não gosta deles, enquanto uma farândola de espertalhões fingirá amá-los para seu proveito. Pena que a procissão está quase saindo do adro! Que chatice, Toninho!
Toninho, Toninho, não tens emenda. Nem agora! Cada vez mais teimoso! Teimoso como um …esqueci! Tenho destes esquecimentos! Não importa! Repara nos milhões que estão fartos de te aturar, das tuas birras, dos teus berros, dos teus cacos, dos teus saltos ( por acaso até pulas bem). Quantos palhaços à séria gostariam de o fazer como tu! Ainda és mais giro que o ferro!
Um dia pode ser que a fixação morra. Quem sabe te contentes em ficar numa galeria da vida, daquelas em que se vê e ouve a banda passar, sem tugir nem mugir? Penso que em duas pernadas lá chegas. Aí, calminho, sentadinho, sem azedumes, sem hipocrisia, sem cacos, sem polémicas e controvérsias. A vida dá voltas que nem só!
Leitor, não gosto de inventar histórias, mas hoje, dia 23 de Outubro, acordei com esta coisa na cabeça e assim nasceu a minha primeira historieta. A personagem e toda a estória são fitícias. Qualquer semelhança é pura coincidência. Não é assim que se diz?

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