Somos todos reféns

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Uma semana após a decisão dos ministros das Finanças da zona euro de impor uma taxa sobre os depósitos nos bancos de Chipre a incredulidade ainda subiste perante a irracionalidade da proposta e as consequências ainda estão por se manifestar em toda a sua extensão. A incredulidade é o nosso testemunho de sanidade mental face aqueles que, com esta decisão, evidenciaram ter perdido toda uma visão de conjunto da vivência de uma comunidade que devem servir e não de que se devem servir. As consequências propagar-se-ão no tempo e no espaço irradiando do foco que é hoje Chipre para os países da periferia sul sob assistência financeira, sem deixar de se estender a toda a União Europeia e mesmo para além das nossas fronteiras, pois uma vez que ousaram formular aquela ideia, convertê-la numa proposta e aprová-la como medida não faltará quem a possa vir a retomar sem recear qualquer ónus político, escudado que está nesta decisão prévia e na autoridade de quem a tomou.

Entretanto, os bancos em Chipre estão fechados para evitar o seu esvaziamento por um levantamento selvagem dos depósitos no desespero por salvar as economias de uma vida quando, afinal, a crise em que nos encontramos foi causada pelo endividamento excessivo de quem não economizou, desespero por salvar as poupanças para a velhice, quando as reformas baixam e deixam muitos sem conseguir continuar a assegurar os seus compromissos e menos ainda o seu nível de vida habitual. A desconfiança está instalada nos depositantes, como nas Agências de notação financeira. Os primeiros receberam a mensagem de que não vale a pena gerir bem os seus salários e de que nada que possuam está a salvo; os segundos ficaram a saber que os principais responsáveis perderam todo o discernimento e que não reconhecem mais quaisquer limites. Somos todos reféns!  

Perverteram o desiderato da sua função uma vez que a ajuda financeira aos países em dificuldades financeiras intervém no sistema bancário para proteger as pessoas e não assalta as pessoas para proteger os bancos. Erodiram uma confiança já débil, semearam o desespero num campo fértil… E agora?


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