Sorrir com os olhos no regresso às aulas

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Esta semana ficou marcada pelo regresso às aulas presenciais, após seis meses de afastamento físico dos estabelecimentos escolares.
Uma realidade que tem acontecido por todo o mundo, levando a que crianças e jovens, pais e encarregados de educação, professores e restante comunidade educativa, se tenham adaptado a circunstâncias muito diferentes das habituais no quotidiano pré COVID-19.
Ao início de um novo ano letivo, outrora carregado de alguma excitação pela estreia na escola ou entrada num novo ciclo de ensino, com os desafios inerentes, seja pelas novas disciplinas que constituirão os horários, pelos novos colegas e professores ou pelas novas rotinas, também se junta, este ano, à lista das emoções, as novas regras impostas.
Esta é, sem dúvida, uma etapa diferente na nossa vida e tal como afirmou o nosso Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o sucesso do regresso às aulas “é uma missão nacional” e o seu desejo é partilhado por todos nós ao sublinhar que, quando chegarmos ao Natal e olharmos para trás, esperamos poder dizer que parecia muito complicado, mas que ultrapassámos o tempo mais difícil.
Contudo, enquanto tivermos de viver com todas as limitações determinadas, devemos munir-nos das melhores ferramentas para facilitar o regresso à escola e, neste sentido, a Ordem dos Psicólogos Portugueses, em colaboração com a agência das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, elaborou um guia de recomendações para todos os que têm à sua responsabilidade educar crianças e jovens.
Nesse guia são elencados conselhos de forma a ajudar os pais e os encarregados de educação a reconhecer e a identificar receios e sentimentos de ansiedade, tanto em si próprios como nos seus educandos e, assim, possam promover formas saudáveis de lidar com os mesmos. O que poderá passar por incentivar as crianças e jovens a expressarem as suas emoções, disponibilizando-se para o diálogo e validando o que sentem relativamente ao regresso à escola.
Sabe-se que neste período é normal existir uma certa “ansiedade de separação”, nomeadamente, para as crianças de tenra idade, que após um período prolongado de contacto exclusivo com os pais, poderá assumir-se mais difícil de combater, dificultando a adaptação às novas rotinas.
Outro aspeto importante salientado no referido guia prende-se com o sentimento de segurança, onde deverá ser enfatizado que a decisão do regresso à escola é baseada no conhecimento científico, a que as autoridades estão atentas e que, caso não seja seguro ir à escola, decidirão nesse sentido.
Entre os muitos outros conselhos que integram o guia, há um a não descurar. No final das aulas, no regresso a casa depois da escola, dedicar um pouco de tempo a conversar sobre como foi o seu dia, incluindo o que gostaram, o que as deixou preocupadas ou apreensivas e o que gostariam de fazer no dia seguinte.
A comunicação continua a ser efetivamente o melhor veículo para alcançarmos a tranquilidade necessária para superarmos esta fase de readaptação. E associada a esta, considerando que os afetos estão condicionados e que os imprescindíveis sorrisos calorosos estão escondidos pela máscara que nos tapa o rosto, a primeira lição a aprender e que deverá ser colocada todos os dias em prática é sorrir… sorrir com os olhos fará toda a diferença neste regresso à escola.

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