Faial em alerta laranja

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Desta vez o alerta laranja lançado na noite de domingo, dia 25 de outubro, não foi dado pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, mas pelos eleitores faialenses que, pela segunda vez consecutiva, pintaram a ilha do Faial de laranja no mapa da contagem dos votos.
Das treze freguesias que integram o concelho da Horta, apenas uma, o Capelo, permaneceu na tonalidade rosa, contudo a puxar para salmão, se for considerada a reduzida diferença de votos que se verificou entre o PS e o PSD nesta freguesia.
É sinal para dizer que no panorama regional, a ilha do Faial destacou-se mais uma vez, dando nota negativa a Vasco Cordeiro e à sua governação, assim como à lista encabeçada pela socialista Ana Luís, que a viva voz apregoaram “que p´ra frente é que é caminho”, quando o que mais se ouve da boca dos faialenses é que o Faial está a ficar para trás e fizeram questão de, nas urnas, relembrarem o seu descontentamento.
Saiu vitoriosa a lista encabeçada pelo social democrata Carlos Ferreira. Os faialenses foram justos e reconheceram o trabalho realizado por este e por Luís Garcia, deputados do PSD, ao longo dos últimos quatro anos em prol do Faial, os quais obtiveram de forma inequívoca a renovação da confiança para mais um mandato a representar os interesses da ilha.
Nas restantes ilhas e apesar das condições meteorológicas estarem bastante amenas, sentiram-se ventos de mudança.
Apesar de o PS ter matematicamente vencido as eleições, em números absolutos o partido de Vasco Cordeiro perdeu 2.573 votos em comparação com 2016, o que resultou na redução de cinco deputados e, como tal, a perda da maioria absoluta, com a qual estavam habituados desde 2000, o que fez pairar uma nuvem negra sobre o partido.
Na confirmação do mau tempo sentido, entenda-se o descontentamento perante a governação PS, para muitos açorianos a palavra de ordem foi efetivamente “Chega”!
Na sua estreia nestas eleições, o partido de André Ventura começou com o pé direito, foi a quarta força política mais votada, tendo eleito dois deputados. Inicialmente não se mostrou aberto a conversações, mas rapidamente viu a possibilidade de bater o pé com força e também fazer exigências perante a hipótese de uma “geringonça” à direita.
Na verdade, feitas as contas, o partido de José Manuel Bolieiro aumentou 6.301 votos no total e mais dois deputados, o que permitiu abrir-se ao diálogo de forma a assumir a presidência do Governo Regional dos Açores com o apoio do CDS, da Iniciativa Liberal, do PPM e do Chega.
O Chega, chegou-se efetivamente à frente e já veio apresentar as suas condições, nomeadamente, um compromisso de redução, nos quatro anos de legislatura, para metade, dos beneficiários de RSI na RAA e o compromisso de apresentação de um plano regional de luta contra a corrupção e clientelismo na Região dos Açores no prazo de um ano.
E enquanto se aguardam novidades, alguns dados a registar nestas eleições e que também poderão servir de alerta: 74% dos parlamentares eleitos são homens, a CDU perdeu representatividade e a abstenção continuou a ser a grande vencedora da noite. g

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