Teófilo fecha em Setembro

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Após a declaração de insolvência da Teófilo S.A., em Março passado, as tentativas de manter a empresa aberta saíram goradas. Depois de 76 anos no mercado faialense, o Teófilo vai mesmo fechar as portas. Dos 38 trabalhadores, 26 foram despedidos na passada segunda-feira, sendo que os restantes 12 se mantêm em funções apenas até Setembro, na tentativa de vender o stock de que a empresa ainda dispõe.

Em Março, altura em que foi declarada a insolvência da empresa pelo Tribunal do Comércio de Lisboa, Carlos Goulart, presidente do Conselho de Administração da Teófilo S.A., explicou ao Tribuna das Ilhas que a grande quebra de vendas tinha motivado o pedido de insolvência, numa tentativa de reabilitar a empresa. Na ocasião, o empresário mostrou-se optimista em conseguir manter as portas abertas, no entanto acabou por confirmar-se o pior cenário. 

De acordo com Maria José Escobar, do Sindicato de Empregados de Escritório e Caixeiros, do qual são associados quatro destes trabalhadores, este é um “processo mal conduzido desde o início”. A sindicalista alerta para a dimensão do problema, frisando que, no cenário actual, será muito difícil para a maior parte destas pessoas encontrar outro emprego. Por essa razão, explica, o ambiente que se vive entre os trabalhadores é de grande tensão e preocupação até porque, como ressalva, a administração da empresa lhes passou uma mensagem de optimismo e esperança que era, afinal, injustificada. Maria José acusa o presidente do Conselho de Administração da Teófilo S.A de não ter esclarecido devidamente os trabalhadores quando foi declarada a insolvência da empresa. A sindicalista entende também que os três trabalhadores da ilha do Pico foram descriminados neste processo: “enquanto eram feitas reuniões com os trabalhadores do Faial, os do Pico continuavam sem saber de nada”, refere.

Maria José explica que o próximo passo é garantir a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores, nomeadamente as indemnizações a que, de acordo com a sindicalista, os mesmos têm direito. Nesse sentido, foram já iniciados os procedimentos legais recomendados.

Chega assim ao fim a vida de uma das maiores empresas faialenses, cujo contributo para a economia local foi reconhecido em 2011, pela Câmara Municipal da Horta, que a distinguiu com uma medalha de mérito por ocasião das comemorações do aniversário da cidade. No actual cenário de dificuldades, a chegada ao desemprego de cerca de 40 pessoas assume grande preponderância numa economia pequena como a do Faial, esperando-se que, apesar da crise, seja possível ao tecido empresarial absorver parte destes trabalhadores.