“Três Hombres” já chegou à Horta

0
10

 O único navio cargueiro sem motor a realizar transporte internacional de mercadorias  do mundo, o Tres Hombres, já chegou ao Faial.

Para assinalar a sua estadia na Horta vários  locais juntaram-se no grupo “Transporte Justo Açores”, e estão a preparar a recepção a esta embarcação.

O navio Tres Hombres é operado pela Fairtransport Shipping, uma companhia holandesa, criada por três amigos velejadores, os holandeses Arjen van der Veen e Jorne Langelaan e o austríaco Andreas Lackner.

Com 32 metros de comprimento, iniciou as suas atividades em dezembro de 2009, e é um projeto que resulta da fusão de várias paixões: a paixão pela vela, pro embarcações tradicionais, pela construção naval, por navios escola e pela defesa de um ambiente sustentável. O design do navio remete a um modelo antigo de embarcação mercante, característico por suas linhas rústicas e por não possuir motor. Tres Hombres não se parece em nada com os navios que dominam o transporte marítimo atualmente, se comparado à embarcações que superam os 400 metros. O veleiro possui capacidade para transportar 35 toneladas de carga e conta com acomodações para 15 pessoas, sendo elas tripulantes e estagiários ou passageiros.

O objetivo do “Três Hombres” passa por criar uma frota de cargueiros a vela livres de emissão, retirando assim os combustíveis fósseis da cadeia global de suplementos. Procura sensibilizar para a problemática da sustentabilidade ambiental, com particular enfoque nas emissões brutais de gases tóxicos provocados pela marinha mercante portuguesa.

A importância do Tres Hombres não está relacionada à sua capacidade de carga, em muito ultrapassada pelas embarcações atuais. O navio é, na verdade, a concretização de uma maneira de pensar. Os temas relacionados ao meio ambiente há muito deixaram de ser questões minoritárias diante do simples objetivo de lucrar. Tres Hombres é a prova de que é possível obter ganhos com atividades fundamentais sem utilizar os meios dos quais a humanidade se tornou dependente, como o petróleo. 

De acordo com Paula Luís, André Santos e Sónia Pó, os elementos do grupo “Comércio Justo Açores”, “este projeto é também uma reflexão sobre a própria logica de globalização, sistema de distribuição de bens que se baseia num intenso dispêndio de energias fósseis, muitas vezes para transportar bens de primeira necessidade, produtos de baixa qualidade, e sobretudo produtos que são resultado de negócios injustos para as pessoas e regiões que os produzem.”

A empresa responsável pela embarcação, a Fairtransport Shipping, está a aumentar a sua frota de navios sustentáveis e já tirou do papel um cargueiro de cinco toneladas para transportes futuros.

Todas as embarcações por ela criadas utilizam alta tecnologia para eliminar o uso de combustíveis fósseis. A intenção é captar projetos do tipo para dar visibilidade a questões ambientais. 

Neste sentido, o grupo faialense, pretende, ao promover a sua vinda cá, motivar as diversas instituições para a construção de uma embarcação de carga à vela para operar no Faial-Pico, de forma a dotar os Açores de um navio de vela que seja, ao mesmo tempo, um cargueiro e um barco escola, e de forma a expandir o projeto global de transporte justo.

“Nesse processo, o Faial-Pico pode ser parceiro na expansão e desenvolvimento do projeto global através da criação de condições para a construção de uma nova embarcação, para a manutenção da frota, bem como para o fornecimento de mercadorias, tirando assim partido das condições e dos conhecimentos presentes nesta região, tal como já se tem vindo a verificar ao servir de base de apoio a toda a operação do projeto no Atlântico” – refere a organização.

 

 

 

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO