Tutela afasta relação direta entre projetista e peritagem técnica nos portos do Pico

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A secretaria regional do Turismo e Transporte, através de comunicado, afastou a possibilidade de alegada relação direta entre o projetista da rampa Ro-Ro no porto de São Roque do Pico e a peritagem técnica, que continua a decorrer, naquela infraestrutura desde o acidente mortal a 14 de novembro de 2014.

Entre as entidades às quais a Porto dos Açores e a Transmaçor solicitaram a realização destas peritagens, de forma a emitirem pareceres sobre aquele porto, bem como os portos da Madalena, Horta e Velas, encontram-se a empresa WW.

Esta empresa, da qual o engenheiro Morim de Oliveira é administrador, foi responsável pela elaboração dos projetos de construção das plataforma Ro-Ro em diversos portos do arquipélago dos Açores, entre os quais se encontram os portos do triângulo onde opera a transportadora marítima de passageiros.

Para além da WW existem mais quatro entidades a fazer peritagem aos portos e às operações marítimas entre Faial, Pico e São Jorge, como a empresa Rinave, o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), o professor Alfredo Santos, docente no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e ex-investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), e ainda o comandante António Fera, do Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração (ISCIA), este último “com o objetivo de acompanhar a operação e avaliar as manobras realizadas pelos mestres nos navios Gilberto Mariano e Mestre Simão”, afirma a tutela da pasta do Turismo e Transportes.

Pelo “conjunto alargado de entidades” a quem foram pedidos pareceres técnicos, a secretaria regional do Turismo e Transportes considera, em comunicado, ser “abusiva a afirmação de que “quem fez a obra é quem vai agora atribuir responsabilidades pelos eventuais defeitos do projeto”, citando parte da notícia que gerou desconforto no Governo dos Açores.

Segundo os membros desta pasta, liderada por Vítor Fraga, “todos estes procedimentos, alguns dos quais de elevada complexidade técnica, estão a ser desenvolvidos desde o primeiro momento no sentido de assegurar que a operação voltará à normalidade com os altos níveis de operacionalidade e segurança que estas duas empresas disponibilizam aos seus clientes, bem como no sentido de apurar todas as circunstâncias que conduziram ao acidente do passado dia 14 de novembro no Porto de São Roque do Pico”, asseguram.

As operações com as plataforma Ro-Ro no porto de São Roque e da Madalena do Pico estão interrompidas desde o episódio lamentável que ocorreu a 14 de novembro do ano passado, sendo também impossível realizar o transporte de automóveis e de motociclos. As peritagens alargam-se no tempo sem haver conclusões concretas até ao momento.