Um Natal com S. José

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1 Mais um Natal! Este marcado pelas condicionantes do tempo presente e dos efeitos da ainda imprevisível pandemia que afeta o nosso viver coletivo e arrefece parte do calor humano que esta época irradia, isolando-nos e fechando-nos ainda mais nas ilhas em que já alguns de nós nos refugiávamos!

2 Mesmo antes das limitações e restrições que este ano nos impomos a seguir por uma questão de saúde pública, já muitos de nós deixáramos fugir por entre os dedos da nossa vida a essência do Natal e trocáramos o Deus-Menino pobre, humilde e sóbrio, pelo deslumbramento de um consumismo avassalador que nos fechou na concha de um egoísmo atroz e narcisista.

3 Mesmo antes das limitações e restrições que este ano cumprimos por uma questão de saúde pública, já muitos de nós tínhamos limitado os nossos contatos sociais e já nos havíamos encerrado no nosso grupo familiar nuclear, fechando os olhos à realidade do nosso semelhante que, às vezes mesmo à nossa beira, não víamos e a quem não estendíamos uma mão amiga e solidária.

4 Mesmo antes das limitações e restrições que este ano nos impomos a seguir por uma questão de saúde pública, já muitos de nós abandonáramos a celebração religiosa e comunitária do Natal esvaziando os centros de culto e enchendo-nos de tudo menos daquele Deus que se fez Menino para nos salvar.
5 Portanto, já antes desta Pandemia, muitos de nós tínhamos escolhido viver o Natal sem o Menino Jesus, aquele que, em boa verdade, é a razão da existência do Natal! Temos luzes, árvores, enfeites, velhinhos de barbas, mas não temos nas nossas casas o Presépio do Menino Deus. Aquilo que devia ser o centro de cada Natal foi pura e simplesmente afastado das nossas casas e, mesmo das nossas vidas.

6 Este Natal, para os cristãos e católicos, vive-se no contexto particular da convocação feita pelo Papa Francisco para o Ano de S. José, uma forma de aprofundarmos o nosso conhecimento do pai adotivo do Senhor.
Como salientou o Papa, S. José tem tanto a dizer aos homens de hoje: era pobre como tantos pais que ainda hoje sofrem por não conseguirem garantir aos seus filhos o mais básico; teve de enfrentar as dificuldades da vida, emigrou e sofreu as agruras de ser emigrante; mas, apesar disso, foi sempre um pai presente, que nunca faltou ao seu filho. José não se impôs na vida de Jesus, mas acompanhou-o na escolha de seu próprio caminho. Por isso, a missão de José tem tanto a dizer aos homens de hoje.

7 A convocação para o Ano de São José é um convite a cada um de nós para conhecer e imitar aquele homem justo e santo, que mesmo sem compreender tudo, acolheu tudo.
Sejamos capazes neste tempo favorável do Natal de nos decidirmos a imitar nas nossas vidas o acolhimento de que S. José foi modelo.

20.12.2020

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