Um novo ciclo no PSD-Açores?

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Em fevereiro do ano passado teci algumas considerações sobre o congresso do PSD-Açores, realizado após mais uma derrota eleitoral do seu líder, Duarte Freitas. Escrevi então que “Ficou claro em algumas intervenções e na maneira fria com que foi recebido, que Duarte Freitas não convence nem empolga verdadeiramente o partido. (…) A pergunta que fica no ar é: Se Duarte Freitas não consegue convencer categoricamente o partido, vai conseguir convencer o eleitorado Açoriano? Fica-se com a impressão que é o líder possível e não o desejado. O líder para a travesseia do deserto que ninguém quer neste momento fazer. Mas à primeira miragem de um oásis, estou certo que outras figuras irão aparecer, como José Bolieiro ou Alexandre Gaudêncio.”
Apesar de na altura ter deixado claro que não se demitia do cargo, não era difícil perceber que tal estratégia não teria futuro. Se o acumular de 5 derrotas e a insatisfação da velha guarda do partido não foi suficiente para o persuadir, a chegada de Rui Rio ao poder parece ter sido a machadada final. Era claro para todos que o candidato de Duarte Freitas não era Rui Rio e isso de não apostar no candidato vencedor por vezes traz consequências. Cedo se percebeu as incompatibilidades entre ambos que ficaram vincadas em palavras e em atos.
Recordo apenas o facto de Duarte Freitas, antes do congresso nacional, ter referido na comunicação social que “Contamos que a atual vice-presidente Berta Cabral continue como vice-presidente porque ela também representa o PSD-Açores”. Ora Rui Rio não só não manteve Berta Cabral como vice-presidente, como praticamente eliminou das suas listas a representação do PSD-Açores.
Um outro aspeto que não passou despercebido foi a homenagem de Rui Rio a Mota Amaral nas comemorações do 44º aniversário do PSD, no passado mês de Maio. Uma figura que todos recordamos foi afastado, contra a sua vontade, pelo próprio Duarte Freitas.
No final do mês passado, antes do anúncio da saída de Duarte Freitas, ficámos a saber da candidatura do advogado micaelense, Pedro Nascimento Cabral. Representa a rutura com o atual PSD e tem o apoio de sectores importantes do partido, mas um grande handicap, é um desconhecido para grande parte da população Açoriana. E conhecendo a maneira tradicional de votar nestas 9 ilhas, só a longo prazo poderá aspirar a ganhar eleições.
Parece-me claro que o melhor candidato para o PSD-Açores seria José Bolieiro, com vasta experiência política e conhecido do grande público, já para não falar da amizade com o atual líder nacional. Mas pelo que é conhecido, não pensa abandonar a Câmara Municipal de Ponta Delgada tão cedo, o que convenhamos, é inteligente da sua parte.
Quem também não considera este o timing certo, mas parece que viu-se “forçado” a antecipar o seu desejo é Alexandre Gaudêncio. O líder do PSD em São Miguel e atual Presidente de Câmara da Ribeira Grande é um político jovem, de rápida ascensão no partido e com vitórias importantes no seu CV. Representa a candidatura da continuidade, daquele que tem sido um dos braços direitos de Duarte Freitas, que poderia assim assegurar a sua manutenção na política, quiçá de volta ao Parlamento Europeu, bem como as principais figuras do atual poder laranja.
Seja qual for o candidato, uma coisa é certa, os Açores só ficam a ganhar com uma oposição forte. Uma oposição forte faz um melhor Governo e só uma oposição forte serve como alternativa credível.
E é importante que se perceba que fazer oposição não é só dizer mal do Governo, convém que se demonstre qual é a alternativa e como se faria diferente.

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