A sucessão de incidentes ocorridos no passado sábado, durante o Cortejo Etnográfico das Festas do Espírito Santo, em Ponta Delgada, expôs de forma crua uma realidade que muitos preferem continuar a varrer para debaixo do tapete: a persistência de práticas anacrónicas que instrumentalizam animais em nome de uma tradição cuja legitimidade cultural já não resiste ao escrutínio ético da sociedade contemporânea. O que se viu — animais alvos de arremesso de garrafas e outros objetos, em pânico, desnorteados, soltando-se dos carros de bois e avançando em direção às pessoas — é um sintoma de um modelo que insiste em sobreviver, apesar de tudo o que sabemos hoje sobre bem estar animal, segurança pública e responsabilidade coletiva.
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