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Universidade Sénior do Faial em risco de encerrar

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Em carta enviada a alunos, professores e a diversas entidades, a Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta (AALH) alerta para o risco de encerramento da Universidade Sénior na ilha do Faial

Através de carta aberta remetida recentemente à “comunidade sénior” a Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta (AAALH) alerta para o facto de a Unisénior viver um momento de grande dificuldade, de prosseguir o atual modelo de gestão, aliás, de auto gestão, assente na participação dos próprios alunos, estando em risco a continuidade desse projecto, iniciado há 10 anos.
Quando foi criada a Universidade Sénior assumiu-se o pensamento estruturante a este novo modelo das políticas sociais dirigidas às populações idosas, confiando nos próprios séniores respeitando a sua experiência de vida na condução do quotidiano da Universidade. Abriu-se a Universidade a todos, independentemente de serem Antigos Alunos.
Segundo o conteúdo da missiva também dada a conhecer a esta redação “o problema há muito tempo que existe, o problema maior da Universidade Sénior do Faial é a dificuldade de ser assegurada a continuidade da gestão pelos próprios alunos. A gestão que tem sido assegurada, ano após ano pelos alunos tem adiado o problema de fundo e ficando a sensação de que a ruptura pode acontecer a qualquer momento, que já esteve eminente por várias vezes”.
Reconhecendo o esforço, dedicação e contributo de todos, a direcção da AAALH entende ser necessário pensar o modelo e os intervenientesna gestão da universidade. “O alvo deste problema é, na primeira linha, a própria AAALH, que acreditou num modelo centrado no regime de liberdade de acção e de confiança na experiência de vida dos séniores. A AAALH devia ter aprofundado, logo de início, as razões porque, em geral, nas outras Universidades Séniores não é seguida essa via de confiança nas pessoas, concedendo-lhes a gestão da Universidade”.
O Memorando mostra claramente que no ano passado a Unisénior conseguiu funcionar, apesar das dificuldades sentidas em encontrar elementos para a sua gestão. Segundo a direção da AAALH “este ano, a assembleia não encontrou solução. Mandatou um grupo, que também não conseguiu. Passou o problema para a AAALH. Pela primeira vez, verificou-se um clima conflituoso. Mais tarde, esperando que o ambiente se alterasse, tentou-se a recuperação da situação, em novas reuniões. O grupo mandatado, a quem a AAALH estava vinculada perante a assembleia, não conseguiu gerar uma posição de consenso”, refere.
Por isso entende a AAALH que não se pode persistir nessa instabilidade, sempre na dependência de uma solução “por acaso” ou por qualquer insistência de recurso. De acordo com o referido documento, para a AAALH “torna-se muito difícil continuar a resistir, depois destes 10 anos, quando é evidente a necessidade urgente de uma alternativa que garanta o acesso a outro modelo na “fluidez” da gestão. Hoje, é claro que não são úteis as insistências para que seja prolongado o tempo de permanência na gestão, pressionando pessoas que, por força da sua dedicação, seriam obrigadas a esses prejuízos. A Universidade Sénior é um projecto que já deu provas, nele foi investido saber, entusiasmo e consciência cívica. A sociedade faialense compreendeu isso e criou expectativas”.
Assim, a AAALH considera que as soluções não passam apenas por ela, “é necessário a abertura e o apoio a qualquer movimento da própria sociedade faialense, interessado em introduzir uma nova orientação na Universidade Sénior ou, simplesmente, organizá-la de modo diferente (constituição de cooperativa, fundação, associação, IPSS, sociedade… destinada a esse fim).
“A responsabilidade da criação da Universidade Sénior, a participação activa em todo o seu percurso e o compromisso assumido com a sociedade faialense em 13/9/2008, “obriga” a AAALH a estar empenhada na difícil situação actual, tentando garantir a sobrevivência deste projecto”, refere-se na mencionada missiva.
A AAALH tem feito tentativas de aproximação às entidades que “apadrinharam” a fundação da Univer-sidade, como a Câmara Municipal da Horta e que tem como ponto de partida a “responsabilidade de ser evitada uma situação de ruptura, ter em consideração o percurso da Univer-sidade, admitir um conselho de opinião e assumir a assinatura de um instrumento de compromisso. A história da Universidade Sénior da Ilha do Faial representa já um capital apreciável de “património sénior”, que deve ser organizado para memória futura em obra adequada”.
Em conclusão, quando muitos séniores aguardam para saber se a UniSénior continua, este tema do risco de encerramento é colocado pela AAALH à reflexão da própria sociedade faialense, esclarecendo que está tomada a decisão de alterar a situação actual da gestão, em que a solução assenta, em princípio, numa cooperação institucional com a CMH.
A Universidade Sénior do Faial, elemento importante para o equilíbrio da nossa sociedade, é um projecto criado pela AAALH há10 anos,e que no ano transacto foi frequentado por 124 séniores, em 25 áreas, leccionadas por 28 docentes, em regime de voluntariado.

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