AINDA AS AUTÁRQUICAS… E NÃO SÓ

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1. Os resultados eleitorais das autárquicas de dia 01 trouxeram dissabores, tristezas e alegrias a muitos dos nossos atores políticos. Vejamos o panorama nacional:
O Bloco de Esquerda, apesar de pertencer à “geringonça” que governa o país há dois anos, e de dia a dia querer capitalizar com o apoio que concede ao Partido Socialista, pretendia, sobretudo, recuperar a Câmara de Salvaterra de Magos e vencer em Torres Novas. Não alcançou nenhum dos objetivos a que se propôs e não conseguiu, também, assumir a presidência de nenhuma câmara municipal, o que mostra que é ainda um partido com pouca expressão autárquica.
A única exceção digna de registo foi a eleição de um vereador em Lisboa, o que levará o Bloco a coligar-se com o PS de Fernando Medina que não conseguiu obter maioria absoluta.
O Partido Comunista registou o pior resultado de sempre em eleições autárquicas. Somou apenas 24 contra as 28 câmaras municipais que obteve em 2001 e 2009. Os comunistas, que esperavam manter todos os seus municípios (34 em 2010), viram 10 das suas câmaras mudar de mãos, sobretudo para o Partido Socialista.
Foi este o “abraço de urso” de António Costa. O PCP entrou na geringonça para salvar a sua base sindical e hoje questiona-se se vale a pena continuar a pagar o preço daquele casamento de conveniência. Será este o momento em que o PCP porá a geringonça em causa, ou passará a pressionar mais o Governo e a exigir mudanças que vão de encontro aos objetivos e interesses do seu eleitorado?
As candidaturas independentes continuam a ganhar terreno no panorama autárquico, assumindo a presidência de 17 câmaras, o que corresponde a mais 4 municípios que em 2013. Este é um fenómeno que começa a ter implantação na Região, com um movimento independente a vencer o Municipio da Calheta, na ilha de São Jorge, em dois atos eleitorais autárquicos seguidos.
Quanto ao CDS aumentou de 5 para 6 o número de municípios que vai liderar. A surpresa veio precisamente da sua líder Assunção Cristas que, concorrendo em Lisboa, catapultou o partido para o lugar de 2.ª maior força politica e líder da oposição na capital.O resultado foi muito importante para ela, para o CDS e para os futuros equilíbrios da direita portuguesa.
Sabe-se que beneficiou do voto útil de muitos eleitores do PSD, mas é também resultado de um novo estilo de fazer política. De relevante apenas o facto de a votação conjunta do CDS e do PSD em Lisboa ter sido substancialmente superior à de 2013, quando os dois partidos concorreram coligados.
Para o PSD as expectativas eram más, mas os resultados foram muito piores. Nas principais cidades do país, Lisboa e Porto, foi um completo desastre eleitoral, consequência direta de opções políticas erradas de Pedro Passos Coelho, sobretudo na escolha dos candidatos.
Não surpreendeu, por isso, que muitos dos seus críticos, nessa noite eleitoral, tenham pedido a cabeça de Passos Coelho. Porém, se aúnica alternativa que, na altura, se afigurava no horizonte, a protagonizada por Rui Rio, também saiu ferida da noite eleitoral, pois o mau resultado no Porto também o penaliza, aparece, hoje, o “enfantterrible” Santana Lopes, que reunirá as suas tropas para as diretas de 13 de janeiro de 2018. O passeio previsível de António Costa para uma maioria absoluta nas legislativas de 2019 está agora seriamente ameaçado.
O Partido Socialista foi o grande vencedor destas eleições. Mas com sabor amargo, pois a sua vitória deu-se muito à custa do seu parceiro de geringonça, o PCP, que não ficou nada agradado com isso. Ganhar câmaras ao PCP foi o que de pior podia acontecer ao PS nestas eleições. A geringonça não ficou ferida de morte, mas parece que os sindicatos da CGTP vão deixar de ser tão compreensivos como foram nestes dois anos.

2. Na Região, as duas principais forças políticas cantaram vitória. O PSD e Duarte Freitas saíram vitoriosos pois ganharam mais uma câmara municipal e porque o partido governa“quase 50 por cento da população dos Açores”.
O Partido Socialista porque se continuou a assumir como a principal força autárquica regional e porque, sobretudo, estas eleições permitiram segurar o líder do principal partido da oposição, o que facilita em muito o trabalho de Vasco Cordeiro pelo menos até às legislativas regionais de 2020.

3.Uma última nota relevante para dois eventos, geradores de criação de riqueza em época baixa, potenciadores de um elevado fluxo económico-financeiro no comércio local e de exposição internacional dos Açores enquanto destino turístico. Refiro-me concretamente ao Triangle Adventure que trouxe à nossa ilha mais de 150 atletas e à conferência internacionalsobre a pesca de atum com recurso à arte de salto e vara que trará ao Faial, nos dias 16 e 17 de outubro, cerca de duas centenas de conferencistas de 11 países.

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