VELEIRO ENCALHADO NO MORRO DE CASTELO BRANCO FOI RETIRADO, MAS NÃO RESISTIU E AFUNDOU-SE

0
156
DR

O veleiro “Paloma II”, que encalhara na Baia do Morro de Castelo Branco na madrugada do passado dia 12 de maio, foi removido do local na passada segunda-feira, dia 02 de setembro, mas apesar de todos os esforços desenvolvidos no sentido de manter a sua estanquicidade e flutuabilidade, a sua estrutura não resistiu ao esforço e acabou por se afundar à entrada da mesma baia, a cerca de 30 metros de profundidade.

Na altura do sinistro marítimo foi percetível que a embarcação apresentava rombos que não permitiriam a sua retirada por mar; além disso, as condições de mar que se verificavam naquele dia e prevaleceram durante algum tempo impossibilitavam qualquer manobra com vista ao desencalhe.

O seu proprietário, de nacionalidade alemã, deu a embarcação como perdida, liquidou a caução fixada pelo Capitão do Porto com vista a custear a sua remoção e regressou ao país de residência.

O local onde se encontrava a embarcação, de casco de aço, com 18,5 metros de comprimento total e cerca de 35 toneladas de deslocamento, exigiu larga ponderação quanto à metodologia a usar, tanto pelo valor ambiental de que se reveste o local como pelas dificuldades colocadas ao nível das acessibilidades.

Em primeiro lugar foi considerada a possibilidade de fazer a sua remoção por terra, procedendo ao desmantelamento no local em que se encontrava; contudo, a dificuldade de acesso, não só de maquinaria, mas até pedonal fez com que essa linha de ação fosse descartada.

Assim, o plano delineado passava por fazer rolar a embarcação para que, assente sobre o seu bombordo, expusesse os rombos existentes a estibordo, procedendo ao seu fecho. Uma vez fechada, a embarcação seria puxada por um rebocador e levada para local adequado ao seu desmantelamento.

A execução do plano exigia bom estado de mar no local para realizar a manobra de a fazer rolar, mas também a continuidade de bom estado de mar ao longo de alguns dias para a realização dos trabalhos de fecho dos rombos, algo que apenas se verificou na segunda quinzena do mês de agosto.

A primeira manobra foi executada no dia 20 de agosto e seguiram-se os trabalhos de fecho de rombos e entradas estruturais de água para bordo, os quais se estenderam por 12 dias.

Na tarde do dia 02 de setembro, aproveitando a preia-mar, deu-se início à manobra com vista à remoção final do veleiro. Tendo encontrado muita resistência à movimentação, que resulta do tipo de leito em que o veleiro se encontrava, a manobra prolongou-se no tempo, havendo necessidade de substituir o cabo de reboque, mas ao final da tarde a embarcação foi arrancada com sucesso.

Logo que a embarcação chegou a água com profundidade suficiente para flutuar verificou-se que a sua estrutura tinha cedido, criando novas entradas de água.

A embarcação foi então levada para um local com cerca de 30 metros de profundidade onde afundou e não constitui perigo para a navegação.

Antevê-se que venham a ser libertados pequenos pedaços do seu revestimento interior, que foi desagregado no processo, mas que não terão qualquer tipo de impacto ambiental.

Irão seguir-se trabalhos com vista à limpeza do local onde o veleiro esteve encalhado, onde ficaram, entre outros, mastros, cabos de aço e elementos mais pequenos que faziam parte da sua palamenta.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO