Na fatídica noite do dia 14 de novembro do ano que passou perdeu a vida, num inesperado e brutal acidente a bordo do ferrie Gilberto Mariano, no porto de São Roque do Pico, um nosso conterrâneo e passageiro habitual, por razões profissionais, nas viagens no Triangulo.
Os acidentes acontecem, tanto em terra, como no mar ou no ar, e sempre vão acontecer. Mas a partir do momento em que ocorrem, o que urge e se espera é que por quem de direito sejam apuradas todas as causas e identificadas as responsabilidades, com a maior brevidade, para evitar outros possíveis acidentes e para os consequentes procedimentos a que têm direito as vítimas ou os familiares destas, tanto a nível de conforto emocional como de justiça pelo sinistro.
Na ocorrência de acidentes é por vezes difícil apurar com celeridade a proveniência do que motivou o acidente, mas no caso presente foi visível e imediata a sua identificação “um cabeço de amarração que rebentou”, ficando assim apenas por apurar porque tal aconteceu e a que se deveu.
Decorridos mais de três meses de um longo e profundo silêncio, para desespero da família e amigos, não se encontra resposta de quem de direito para se saber porque é que o acidente aconteceu e a que se deveu, e é isso que muitos hoje, tanto a nível pessoal, como partidário, autárquico ou institucional, questionam e denunciam.
Por outro lado, desde esse fatídico dia – na véspera, o Mestre Simão também tinha arrancado um cabeço de amarração no novo terminal da Madalena, felizmente sem fazer vítimas – que os ferries deixaram de operar nas rampas roll on-roll off nos portos de São Roque e da Madalena, estando nesta ultima a ser utilizado o antigo cais apesar do novo ter sido inaugurado recentemente comprometendo, assim, há mais de três meses, a qualidade do serviço público prestado pela Portos dos Açores e pela Transmaçor (ambas empresas publicas tuteladas pelo Governo Regional), cujo investimento público a todos diz respeito e de que todos devem beneficiar.
De há três meses a esta parte regredimos no tempo – depois de grandes e festivas inaugurações e natural entusiasmo – e as responsabilidades para que isso tenha ocorrido continuam por apurar. Um pouco insólito, não é verdade?
Todos os dias nos entram por casa dentro múltiplas notícias de acidentes de vária natureza, nas mais diversas circunstâncias e dimensão e se todas as infraestruturas – por vezes de grande dimensão e movimento de pessoas e bens, como é o caso de aeroportos, linhas férreas, de entre outros (em lugares com várias alternativas de circulação) – ficassem inoperativas por mais de três meses, até se apurarem responsabilidades pelo sinistro, muita coisa parava à superfície da terra e, certamente, seria colocada em causa a capacidade do homem e da ciência para ultrapassar os problemas que ocorrem no nosso tempo.
A segurança tem de ser reposta, é uma evidência, para tranquilidade das muitas pessoas que viajam no Triângulo ou daqueles que diariamente trabalham nos ferries, mas a família do José Norberto tem o direito de ter respostas e exige-se também que o serviço público cumpra integralmente com as suas obrigações.











