Viver os Açores e voar entre ilhas com tarifa única

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“Viver os Açores” foi o nome dado ao programa criado pelo Governo Regional dos Açores para o incentivo à realização de férias interilhas e que corresponde a um apoio financeiro com base na aquisição cumulativa de serviços de transporte (aéreo ou marítimo), de alojamento, alimentação, atividades turísticas e de rent-a-car.
O programa teve início a 16 de julho e prolonga-se até ao final do ano, com o intuito de promover o turismo interno, pois através deste, os açorianos poderão beneficiar de apoios monetários que são fixados em 50% da despesa, até um valor máximo de 150€ por pessoa (com idade superior a doze anos), caso pretendam passar férias, num período mínimo de três noites, noutras ilhas que não a da sua residência. Para tal, terão de fazer a sua inscrição na página eletrónica para o efeito e cumprir com todos os requisitos. Parece fácil, não!?
Sem dúvida que perante a incontestável importância do turismo para a economia regional e as sérias preocupações face ao impacto negativo que a pandemia COVID-19 já teve, tem e terá neste setor, a aposta em medidas que visem a retoma económica são muito bem-vindas, mas na prática podem deixar um pouco a desejar, quer pelas exigências do próprio programa, quer pela necessidade de destreza digital que levará a que muitos açorianos estejam em desvantagem e acabem por desistir da solicitação do mesmo.
Para além disso, avançar com a despesa para depois receber o reembolso, por si só já se configura como uma condicionante, que obriga a uma certa disponibilidade financeira que não está acessível ao bolso de todos.
A par destas situações acresce a questão inevitável se valerá a pena gastar mais do que seria inicialmente desejável para aceder ao apoio? A resposta ficará ao critério de cada um, no entanto, podemos fazer um pequeno exercício matemático.
Ora vamos lá fazer as contas de uma forma muito simples e com o recurso a valores aproximados.
Considerando um agregado familiar de quatro elementos composto por dois adultos e duas crianças com mais de doze anos de idade e o período mínimo estabelecido das três noites.
Uma viagem de avião com saída, por exemplo, do aeroporto da Horta rumo ao aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, rondará os 480€, o alojamento de 100€/noite para os quatro somará os 300€ e as refeições obrigatórias de no mínimo 15€ por pessoa por refeição, e contabilizando apenas o jantar, pois as restantes refeições ficarão ao gosto do freguês, adicionará à despesa no mínimo 180€ (ficam em falta as restantes refeições).
Quanto às atividades turísticas a realizar, a obrigatoriedade requer um gasto de 30€ por cabeça, o que para a família acrescentará um valor de pelo menos 120€ se encontrar algo por esse valor pré-estabelecido e ao seu gosto.
Na generalidade da oferta existente, e numa rápida busca pela internet, surge a observação de cetáceos, passeios a todo o terreno, canyoning, entre outras, que poderão não ser atividades muito apelativas para algumas pessoas e faixas etárias.
No entanto, se optarem por não a realizar, já não poderão usufruir do apoio.
Quanto ao aluguer da viatura, independentemente do preço, o apoio será com base numa majoração de 25€.
Contas feitas, no mínimo dos mínimos, a despesa ultrapassará os mil euros, para três dias de férias.
E se de uma semana se tratar, mesmo com os cêntimos contados, o valor aproximar-se-á dos dois mil euros. Sendo que no máximo o apoio recebido será de 600€, quer a despesa seja de 1.500€, 3.000€ ou 5.000€.
Claro que é uma oportunidade que alguns açorianos aproveitarão, mas é certo que nem todos o poderão fazer.
Para grande parte dos habitantes dos Açores, um valor fixo de 60€ para a tarifa entre ilhas, independentemente da distância entre as mesmas, seria preferível.
Para a mesma família dada como exemplo anteriormente, o gasto a suportar somaria apenas 240€ e as restantes despesas ficariam ao critério das suas decisões e posses, sem caracter obrigatório.
A proposta existe e foi feita por José Manuel Bolieiro, líder do PSD Açores e com a mesma efetivamente o slogan “da sua ilha descubra os Açores” faria mais sentido, pois não estaria condicionada a um período de tempo, nem teria a limitação de ser utilizada uma única vez, o que tornaria mais fácil efetivamente “Viver os Açores”.

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