A primeira vez que percebi a verdadeira dimensão da inteligência de um polvo não foi num documentário nem num laboratório. Foi num mergulho na Baía do Porto Novo (ilha do Corvo), num daqueles dias em que o mar está tão calmo que parece respirar connosco. Estava a começar a filmar um rascasso pousado numa rocha, imóvel como uma escultura. Nada indicava perigo. Eu estava próximo, atento, e o peixe parecia confiar que eu, o lento mergulhador, era a sua única ameaça.
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